John
Green conseguiu levar a leitura para a juventude desesperada que se encontra em
um universo virtual e de ilimitado acesso, fazendo da tristeza, alegria. É fácil
culpar a doença, mesmo não estando doente, lendo “A culpa é das estrelas” é
tentador sentir a dor de ambos personagens, cujos passaram por processos terminais,
mas que venceram a morte, ou não.
É da juventude a abstinência de querer saber
o fim das coisas, a curiosidade levanta questões sobre a vida alheia e sobre o
Universo em que vive. Desta forma o autor conquista a trama fazendo Hazel e
Augustus (Gus é para os mais íntimos, se você descreve a história para alguém e
diz “o Gus...”, o mar de intimidade te engoliu, que é claro, é a proposta de
João Verde) descobrirem o final do livro “ A aflição Imperial” e até mesmo o
fim de suas vidas.
O fim, não é o fim. O livro traz toda
hora um fim para qualquer situação feliz. Pacientes cancerosos apenas são
felizes momentaneamente? A trágica teoria de John, fez com o que milhares de
jovens amassem o câncer, logicamente, não desejando ter essa doença, mas sim
ser um casal como Hazel e Augustus.
Por trás da história há diversas
metáforas há serem descobertas, como a interpretação de muitos pacientes cancerosos
à espera da morte. A morte esteve o lado de (quase) todos os personagens
envolvidos.
Observa-se Isaac, o personagem foi
criado para difundir e apimentar a relação do casal Hazel e Augustus, era o único
meio de comunicação relacional amorosa. Segredos e mais segredos eram contados a
ele. Mas além do menino cego e confiável, Isaac é visto na realidade, como a
esperança do “eu não sei quem sou, mas sou”, ser cego não muda o modo de como “vê
o mundo”, ele é a visão, é a luz, é a mão próspera, carrega tristeza, mas sorri
à ela.
Os pais de Hazel, são dois perdidos,
querendo ser encontrados, na extrema pior situação. O pai parece confuso e
nunca entende o porquê da doença. Ambos são o niilismo, e o ateísmo, não
acreditam no final feliz e também não procuram por salvação em Cristo, derrotam
a fé, mas apoiam com a força racional. O fato de a Mãe querer ser assistente social, não altera o lado que é fraca, o lado da fé. Nietzsche ficaria feliz em
saber que ainda usam sua teoria em livros, ainda mais em livros para jovens.
John Verde errou em usar A Hierarquia das Necessidades de Maslow, ele não precisava comprovar que o único objetivo de
Augustus era conquistar a auto-realização. Hazel entende que a necessidade fisiológica
é a única que pode superar, - errada, não é porque sofre de uma doença que não
pode ter uma casa e sentir segura nela. Nem precisa comentar o relacionamento que tem com sua família e o seu namorado,
é perfeito aos olhos da juventude. A
terceira necessidade também é alcançada, Hazel era respeitada por todos do
grupo de apoios às pessoas com câncer. John, apenas dramatizou o fato dela ter câncer
e não poder alcançar a auto-confiança.
Hazel Grace, simplesmente a personagem
menos aceitável na realidade. Que tipo de garota de dezesseis anos, diz repetitivamente
a palavra “Cara” ou então age com modos de menino? A intenção do autor fica questionável
em relação à personagem, pois tentou criar um aspecto feminino diferente e
livre de ser, mas acabou pecando, algumas lidas nos primeiros capítulos,
suspeita-se que Hazel é um menino. Embora os leves transtornos do caráter semi-masculino
de Hazel, é a mais complexa da história, o que deixa mais interessante a
leitura. Como qualquer outra garota de dezesseis, consegue ser manipulada pelo
fanatismo. Sua banda preferida “The Hectic Glow” e sua paixão por “Aflição
Imperial” atinge um nível aceitável de uma garota ser uma garota. Mas que tipo
de alusão John Green injetou, enfim, em Hazel? A dor. Hazel Grace interpreta a
dor. O jeito de descrever o seu incomodo, seu mal-estar é desagradável, é perturbador
e dramática, (foi a forma mais simples que John fez milhares e milhares de “estrelas”
chorarem). Hazel Grace é o drama e a dor em pessoa. Ela venceu diversas vezes a
dor, sentiu poucas vezes a felicidade e lamentou a morte. Ninguém com câncer
que tem um amor perfeito por outra pessoa com câncer, lamenta a morte, o fim
mais próximo de Hazel, é a morte de depressão e desgosto da vida e o câncer seria
a ultima causa de sua morte.
Peter Van Houten, ingênuo, egoísta e
derrotista. Seu livro aparenta ter todos os sentimentos de uma perda, pelas
frases lidas por Hazel e Augustus. O livro de Houten é a própria vida dele, por
isso não quis colocar um fim. O personagem acrescenta ódio no leitor, o que é
doloroso saber que seu ídolo não é o que você achava que era. Interessando por
escritas de Augustus, faz com que o seu egoísmo vá embora. É outro personagem
que merece atenção; ele é a decadência, o que restou de uma família próxima do câncer,
a desistência de uma luta e é por mais interessante, o que Hazel, seus pais e
os de Augustus e Isaac poderiam ser tornar a ser depois da morte de Augustus.
Augustus
Waters tem a complexidade que alguém sem câncer pode ter. O personagem mesmo
sem perna é descrito como perfeito. Sua voz é linda, aparentemente tem um
físico de atleta e é atraentemente estiloso (observações de Hazel). Mesmo sendo
“perfeito” nunca está satisfeito com os atos felizes da vida. O objetivo dele é
alcançar uma felicidade extremamente difícil até para uma pessoa cem por cento
saudável, como acrescentaria John - alcançar a auto-realização de Maslow e sua pirâmide
das (des)necessidades. Deixar lembranças é aparentemente fácil, a teoria diz
que cartas, livros e coisas escritas que trazem a memória momentos, que dão
saudades e que comovem, podem ser uma auto-realização, então teoricamente
Augustus conquista-a.
A droga que salvou Hazel não pode salvar
Augustus, John Green, não revela essa filosofia da droga experimental que salva
Hazel, e nem cita que Augustus pode servir como cobaia dessa droga, só restou a
ele colocar um fim na trama, escondendo do leitor a droga da Vida, a droga da
salvação.
E por
fim, o fim. O fim não é o fim. John Verde brinca como se fosse Van Houten, não
termina ao todo o livro. Cabe o leitor se aprofundar no infinito da imaginação e
desfrutar do destino de Hazel, o de Van Houten e de Isaac, já que alguns infinitos são maiores que os outros.
Primeiro vê se pega um bom livro de gramática da língua portuguesa e um bom dicionário. Quanto à observação dos pais da Hazel, vc não podia estar mais enganado. Errou feio, errou rude... Afff
ResponderExcluircontinue escrevendo, está ótimo....
ResponderExcluirnão ligue para os comentários que só querem destruir e não acrescentar...
ResponderExcluirmesmo que esteve-se mau, que não está, você ao menos teve coragem para escrever e publicar e tirou do seu tempo para o fazer...