quarta-feira, 30 de julho de 2014

A culpa é das Estrelas (A alusão estelar – Crítica, livro de John Green)

John Green conseguiu levar a leitura para a juventude desesperada que se encontra em um universo virtual e de ilimitado acesso, fazendo da tristeza, alegria. É fácil culpar a doença, mesmo não estando doente, lendo “A culpa é das estrelas” é tentador sentir a dor de ambos personagens, cujos passaram por processos terminais, mas que venceram a morte, ou não.
         É da juventude a abstinência de querer saber o fim das coisas, a curiosidade levanta questões sobre a vida alheia e sobre o Universo em que vive. Desta forma o autor conquista a trama fazendo Hazel e Augustus (Gus é para os mais íntimos, se você descreve a história para alguém e diz “o Gus...”, o mar de intimidade te engoliu, que é claro, é a proposta de João Verde) descobrirem o final do livro “ A aflição Imperial” e até mesmo o fim de suas vidas.
         O fim, não é o fim. O livro traz toda hora um fim para qualquer situação feliz. Pacientes cancerosos apenas são felizes momentaneamente? A trágica teoria de John, fez com o que milhares de jovens amassem o câncer, logicamente, não desejando ter essa doença, mas sim ser um casal como Hazel e Augustus.
       Por trás da história há diversas metáforas há serem descobertas, como a interpretação de muitos pacientes cancerosos à espera da morte. A morte esteve o lado de (quase) todos os personagens envolvidos.
       Observa-se Isaac, o personagem foi criado para difundir e apimentar a relação do casal Hazel e Augustus, era o único meio de comunicação relacional amorosa. Segredos e mais segredos eram contados a ele. Mas além do menino cego e confiável, Isaac é visto na realidade, como a esperança do “eu não sei quem sou, mas sou”, ser cego não muda o modo de como “vê o mundo”, ele é a visão, é a luz, é a mão próspera, carrega tristeza, mas sorri à ela.
       Os pais de Hazel, são dois perdidos, querendo ser encontrados, na extrema pior situação. O pai parece confuso e nunca entende o porquê da doença. Ambos são o niilismo, e o ateísmo, não acreditam no final feliz e também não procuram por salvação em Cristo, derrotam a fé, mas apoiam com a força racional. O fato de a Mãe querer ser assistente social, não altera o lado que é fraca, o lado da fé. Nietzsche ficaria feliz em saber que ainda usam sua teoria em livros, ainda mais em livros para jovens.
      John Verde errou em usar A Hierarquia das Necessidades de Maslow, ele não precisava comprovar que o único objetivo de Augustus era conquistar a auto-realização. Hazel entende que a necessidade fisiológica é a única que pode superar, - errada, não é porque sofre de uma doença que não pode ter uma casa e sentir segura nela. Nem precisa comentar o relacionamento que tem com sua família e o seu namorado, é perfeito aos olhos da juventude.  A terceira necessidade também é alcançada, Hazel era respeitada por todos do grupo de apoios às pessoas com câncer. John, apenas dramatizou o fato dela ter câncer e não poder alcançar a auto-confiança.
      Hazel Grace, simplesmente a personagem menos aceitável na realidade. Que tipo de garota de dezesseis anos, diz repetitivamente a palavra “Cara” ou então age com modos de menino? A intenção do autor fica questionável em relação à personagem, pois tentou criar um aspecto feminino diferente e livre de ser, mas acabou pecando, algumas lidas nos primeiros capítulos, suspeita-se que Hazel é um menino. Embora os leves transtornos do caráter semi-masculino de Hazel, é a mais complexa da história, o que deixa mais interessante a leitura. Como qualquer outra garota de dezesseis, consegue ser manipulada pelo fanatismo. Sua banda preferida “The Hectic Glow” e sua paixão por “Aflição Imperial” atinge um nível aceitável de uma garota ser uma garota. Mas que tipo de alusão John Green injetou, enfim, em Hazel? A dor. Hazel Grace interpreta a dor. O jeito de descrever o seu incomodo, seu mal-estar é desagradável, é perturbador e dramática, (foi a forma mais simples que John fez milhares e milhares de “estrelas” chorarem). Hazel Grace é o drama e a dor em pessoa. Ela venceu diversas vezes a dor, sentiu poucas vezes a felicidade e lamentou a morte. Ninguém com câncer que tem um amor perfeito por outra pessoa com câncer, lamenta a morte, o fim mais próximo de Hazel, é a morte de depressão e desgosto da vida e o câncer seria a ultima causa de sua morte.
     Peter Van Houten, ingênuo, egoísta e derrotista. Seu livro aparenta ter todos os sentimentos de uma perda, pelas frases lidas por Hazel e Augustus. O livro de Houten é a própria vida dele, por isso não quis colocar um fim. O personagem acrescenta ódio no leitor, o que é doloroso saber que seu ídolo não é o que você achava que era. Interessando por escritas de Augustus, faz com que o seu egoísmo vá embora. É outro personagem que merece atenção; ele é a decadência, o que restou de uma família próxima do câncer, a desistência de uma luta e é por mais interessante, o que Hazel, seus pais e os de Augustus e Isaac poderiam ser tornar a ser depois da morte de Augustus.
     Augustus Waters tem a complexidade que alguém sem câncer pode ter. O personagem mesmo sem perna é descrito como perfeito. Sua voz é linda, aparentemente tem um físico de atleta e é atraentemente estiloso (observações de Hazel). Mesmo sendo “perfeito” nunca está satisfeito com os atos felizes da vida. O objetivo dele é alcançar uma felicidade extremamente difícil até para uma pessoa cem por cento saudável, como acrescentaria John - alcançar a auto-realização de Maslow e sua pirâmide das (des)necessidades. Deixar lembranças é aparentemente fácil, a teoria diz que cartas, livros e coisas escritas que trazem a memória momentos, que dão saudades e que comovem, podem ser uma auto-realização, então teoricamente Augustus conquista-a.
     A droga que salvou Hazel não pode salvar Augustus, John Green, não revela essa filosofia da droga experimental que salva Hazel, e nem cita que Augustus pode servir como cobaia dessa droga, só restou a ele colocar um fim na trama, escondendo do leitor a droga da Vida, a droga da salvação.

    E por fim, o fim. O fim não é o fim. John Verde brinca como se fosse Van Houten, não termina ao todo o livro. Cabe o leitor se aprofundar no infinito da imaginação e desfrutar do destino de Hazel, o de Van Houten e de Isaac, já que alguns infinitos são maiores que os outros.

3 comentários:

  1. Primeiro vê se pega um bom livro de gramática da língua portuguesa e um bom dicionário. Quanto à observação dos pais da Hazel, vc não podia estar mais enganado. Errou feio, errou rude... Afff

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  2. continue escrevendo, está ótimo....

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  3. não ligue para os comentários que só querem destruir e não acrescentar...
    mesmo que esteve-se mau, que não está, você ao menos teve coragem para escrever e publicar e tirou do seu tempo para o fazer...

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