quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Fato da Realidade (Resenha, livro "O primo Basílio" )

Uma sociedade necessita de atenção realística e critica quantos aos próprios erros, não apenas imprudentes, mas também de erros pessoais e impessoais, trata-se de uma atenção carregada de moral e razão critica e libertina.
Por volta de 1877, século XIX, Lisboa sofre do mal impessoal, imoral e pecaminoso aos olhos religiosos, vivenciando a era Burguesa. Contradizendo certas novelas, livros e outros romances tradicionais, Eça de Queiroz, enfatiza a realidade e se aproxima da naturalidade no livro “O primo Basílio” (1878) que faz parte de uma trilogia, com mais dois livros chamados: “O crime do Padre Amaro” (1875) e “Os Maias” (1888), com a intenção de estudar e criticar a Burguesia, atual sociedade predominante na época. O amor, a compaixão, o ego e a felicidade são retratados tão deprimentes e como sentimentos perdidos pela sociedade.
Os personagens do livro relatam em suas falas, carências, egoísmo, rancor, compaixão e patriotismo distorcido. A utopia distorcida tem seu nome no livro, um lugar horrendo e debochado, consegue ser atração para um amor proibido.  Dentro dos principais personagens observa-se atentamente a critica do autor sobre a sociedade. Caracteriza no homem ao se tornar amante de uma mulher; o cinismo, que o leva para as calunias, com sentimentos confusos e deprimentes, deixando qualquer mulher indefesa, tratando assim de dois objetos. A realidade foi bem retratada, com pouco tempo de leitura é possível sentir o desgosto e a decadência de uma sociedade lisboeta. Depois desta leitura o leitor irá se perguntar “ Toda mulher merece um amante?”.
Enfim, o livro “O primo Basílio” merece grande atenção aos aspectos sentimentais existentes nessa trama, embora crítico, o livro traz cosigo um toque artístico e musical, que fascina o leitor pela obra, mesmo com sentimentos conturbados, certos personagens encontram expressão e respostas para o que sentem na música e na arte. Traição, amor contraditório e filosofia despercebida, é a reflexão de Eça de Queiroz para o mundo. 

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