O doce acabou, mas o sonho não,
Foi uma explosão, um momento de solidão,
Você chamou a minha reflexão
Partistes, e eu não sei mais como é a vida,
Agora sou ódio e cuspo no terço,
Um berço pra balançar, o teu balanço
Incondicionalmente não tenho mais caneta pra escrever o que você
não pediu
Quero visitar o parapeito que vi na TV esses dias,
Quero rasgar todas as memórias e matar suas crias,
Antes rasgo minhas contas, mas pago antes o que devo,
Te ligo, você atende, me rende, me vende, não me entende,
Não adianta gritar, eu não quero mais te ouvir,
Peguei o ônibus 555 e parti
Sucumbir pra quê? Se você em instantes, ao ler esta falta,
ainda sim estará à sumir,
O que eu quero é pular desse arranha-céu
Mas não está escuro,
Eu gosto da noite, eu gosto do gosto da dor,
Você me feriu, e logo menos eu pulo
Apareça, liga, faça algo,
Me vê de longe e não tem certeza se sou eu
Pulo? Despulo? Insulto-te, vejo vultos, respiro rancor e insanidade
e critico a vista da cidade de tarde
Desliga o rádio e vá me encontrar antes que eu vire defunto,
Pegue o seu carro FOX que compramos juntos,
E pegue a estrada Dois mil e me encontre na AV. Brasil,
Perto do Ibirapuera,
Isso, o parque que
foi nosso primeiro encontro,
Não venha com rímel no olho que é pra eu te enfrentar defronto,
Não demora, porque estou com frio, e sabe que odeio agir friamente
Traz um agasalho, um abraço quente e uma desculpa convincente
Não tenho medo, você sabe,
Não adianta me assustar,
Mesmo sozinho no escuro,
Eu sei que é você; Pedindo ajuda, ou então pedindo pra te
esquecer
O que vai te favorecer não ser mais quem eu sou?
Na verdade eu nunca soube quem eu sou, quem eu fui, quem eu
vou ser,
Eu apenas tinha a certeza que queria te ter,
Apagaram as luzes,
E a escuridão mais uma vez me tirou da exatidão,
Formamos o casal mais belo da noite,
O som malicioso não ruiu nossos ouvidos,
Havia muito barulho e confusão
Lá embaixo os carros passando, gente gritando "desçam
dái", gente olhando pelos eixos,
e agora sei que o silêncio tem gosto de beijo
Ponha-me desta vez a espada no meu coração, chega de flechas,
Ponha palavras na minha cabeça, diga "saudade" ,
" amo " !
Não existem mais curativos para as feridas,
Que fique exposto o tempo que demorar pra cicatrizar,
Ponha uma nova memória em minha mente, pra eternizar a minha
morte
A morte que chega lentamente; posso até sentir o desgosto de
não estar mais vivo
Foi embora, eu não tê-lo-ia crido
Agora está aqui do meu lado, estamos abraçados, mas não
desculpados,
O amor que trouxe essa dor,
Você pergunta se eu ainda vou pular, com dúvidas, incertezas,
choro,
Sem saída, você aperta minha mão, dói mais ainda - o amor é corrupção!
Pulo... Olho pro lado e lá está você, estamos caindo juntos,
Lentamente vejo a vida de ponta-cabeça, tudo faz sentido ao contrário,
Não ligamos para o que vão dizer, este é o modo certo de se
viver
caindo e caindo...
chegamos ao chão, e agora eu acredito que o amor existe.
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