Ando embaçado e armado,
corto com a minha poesia como um vidro estraçalhado
corto com a minha poesia como um vidro estraçalhado
Ando por aí... gritando... paulistano...pão-francês... tchau pra dona Inêz e na
vida dominó...perco a vez
Conturbado com tanto barulho, esvaziei os ouvidos com sua
voz
A cidade grita, mas não me irrita, porque amo-a
Luz, olhos claros... vermelho, amarelo e verde, cores que
transparecem a felicidade capital,
Trânsito... me transito ao ponto de paz, transmito queixas
poéticas, porém me alimento de sua calmaria
Anarquizo o amor pobre e salivo seu prazer escondido,
Perco o drama, pra dizer o que é a dor e a piedade
São Paulo, te amo como a dor e não como cidade
E não adianta me trazer um clássico se você não conhece a
realidade
Ruas e fachadas, piches filosóficos que me perguntam e me
cativam “Essa vida é real?”
Não é que não sou marginal e não sei pichar... é que realmente não
sei responder
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