Havia
um homem muito curioso, mas tão curioso que não podia ouvir um conversa
sussurrada que afligia-se todo para saber o que estavam conversando.
Uma vez este homem estava passeando sozinho pela rua à
meia noite. Andava observando os lugares, as placas dos comércios fechados e
o céu escuro. Estava tão escuro que o homem se amedrontou ao passar em frente a
um cemitério e reparar que não tinha mais ninguém na rua. O medo tomou conta de
si quando ouviu um grito lá dentro. Para despertar a curiosidade do homem, uma
voz de lá de dentro gritava:
-
ENTRA, ENTRA! POR QUE VOCÊ NÃO ENTRA??
O
homem todo arrepiado quis saber de onde vinha aquela voz tenebrosa vindo de um
cemitério. Será que era um morto-vivo? Será que alguém estava pedindo socorro
por ter sido enterrado vivo? Eram as dúvidas que estavam na cabeça do homem. O
homem entrou no cemitério procurando a voz. Observou a imensidão apavorante do
cemitério, enquanto fazia essa observação a voz continuava:
-
ENTRA, ENTRA! VAI, ENTRA LOGO!!
O
homem já estava dentro do cemitério e por isso não entendia o motivo do pedido.
Ainda curioso para descobrir de onde vinha o grito, pensou:
-
Não entendo essa gritaria, o que será que tá acontecendo?
Com medo
procura desesperadamente atrás dos túmulos, enquanto a voz ainda gritava:
-
ENTRA, ENTRA! ENTRA LOGO!
O homem se arrepiava mais e mais, mas não iria
embora enquanto não matasse sua curiosidade, procurava atrás dos túmulos, atrás
das casinhas de madeira e das pedras enfeitadas com nomes recordados, mas a voz
perturbava-o e estava cada vez mais próxima:
-
ENTRA, ENTRA! TODOS JÁ ENTRARAM PORQUE VOCÊ NÃO ENTRA?
Indignado
com aquela gritaria, achou que fosse a morte chamando-o:
-
Onde será que preciso entrar? Será que a morte quer que eu entre em um desses túmulos?
O
homem caminhava rumo ao fim do cemitério, já terminando os túmulos, ouviu
novamente a voz:
-
ENTRA, ENTRA! TODOS JÁ ENTRARAM PORQUE VOCÊ NÃO ENTRA?
O homem
desta vez pode reparar de onde estava vindo a voz, caminhou em direção à casa
do coveiro com toda curiosidade e vontade do mundo. Antes de olhar atrás da
casinha fechou os olhos, tomou um fôlego e olhou... lá estava um velho coveiro bêbado
tropicando e segurando uma garrafa de pinga tentando abotoar o ultimo botão da
camisa e que gritava nervoso:
- ENTRA, ENTRA! TODOS JÁ ENTRARAM PORQUE VOCÊ
NÃO ENTRA?
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