Uma tesoura de ponta aguda esta perdida de baixo do assento de um salão de cabeleireiro e onde o dono é o próprio cortador de cabelos e também o barbeiro, ele esta procurando o tal objeto perdido , e procura furioso pois o cliente esta esperando o corte e há mais clientes esperando a vez. "Aberto até a 00:00 " diz uma placa em frente ao salão, pelo fato de ter ganho uma multidão de fãs pelo seu dom de cortar cabelos perfeitamente e por isso teve que aumentar a hora do funcionamento do estabelecimento que antes era até as 21:00. O salão já existe há muito tempo, tem a estrutura da época atual 1903 e se encontra na cidade de Londres na pequena área dentro da Grande Londres , Francisco Smeet, o dono/cabeleireiro/barbeiro é de origem francesa e é famoso por seus cortes estilosos e esbeltos , consegue deixar qualquer pessoa apresentável por " um toque no cabelo" ou necessariamente na barba, pois os homens que costumam ir lá , geralmente fazem a barba, mas o que o levou a fama e a honra de ser um ótimo cabeleireiro foi pelos cortes de cabelos das mulheres . Este homem guarda um mistério , tem obsessão por cabelos muito lisos e longos, ao ver fica extremamente fascinado e o admira como se não houvesse amanhã .
Ao encontrar a tesoura , começa a tesourar alguns fiozinhos de cabelo que ainda havia na careca de um senhor já de idade, Francisco se perguntava o por que esse senhor após fazer a barba pediu para cortar o cabelo, não havia muito cabelo a cortar só pequenas tesouradas já estaria feito o trabalho e como de fato o mistério vem a tona , ele queria mesmo era estar tocando em um cabelo extremamente cumprido e liso . Francisco , por curiosidade tem um cabelo muito bom , uma franja curta e repicada sobre um pouco de sua testa mas quando frange consegue tocar os cílios , frangir a testa é o seu tic-nervoso, tem olhos escuros e profundos, chega a ser amedrontante olhar diretamente em seus olhos, sua idade nunca foi revelada , parece ter uns 28 anos mas sua barba falhada entrega idades um pouco mais velhas e sua casa fica aos fundos do salão. O senhor que espera a careca ser aparada , olha a cada 5 minutos para o relógio cuco que se encontra ao lado da porta de entrada, parece estar com pressa , e logo então tenta apressar Francisco :
- Vamos logo com isto não tenho todo o tempo do mundo! Além do mais já sou careca,não há muito coisa à cortar...!
- Desculpa-me mas é que realmente este processo de fazer tua barba e desfiar alguns fios dos teus poucos cabelos é demorado , e outra faz apenas 20 minutos que comecei.
- 20 minutos? Nossa como o tempo voa! Quanto tempo vai demorar?
- Talvez uns 10 minutos...
- Talvez ? Meu caro, você demora muito para fazer tais coisas, além do mais minha barba parece estar mal feita - o cliente vira o rosto para cada lado observando sua barba pós-feita , e por não ser incrível o aparecer estava perfeitamente feita, ele estava apenas debochando da situação. - Corte logo estes malditos restos de cabelo que me faltam !
- Estou tentando, mas se continuar a tirar-me concentração não será possível isto...
Um barulho estrondo se faz quando o cliente impaciente bate suas mãos no balcão que há na sua frente, ele se levanta e diz bruscamente:
-DEIXE, DEIXE! Não quero cortar mais esta porcaria , vá aprender a atender bem seus clientes, seu tolo!
e rapidamente deixa o local sem se quer pagar a barba que foi feita. ,batendo a porta com força ,querendo mostrar sua raiva . Francisco estranhou pois fazia muito tempo que um cliente não reclamava de seu trabalho, talvez fosse pelo desastroso momento em que ele tentava achar a tesoura perdida , ou pela certeza , coerente maldade e estranheza que aquele cliente havia. O resto da clientela que estava esperando também ficaram surpresos com a situação, mas não os impediu de continuar a esperar pela a vez , pois muitos deles confiam em Francisco e sabem que ele jamais os deixariam na mão . Francisco pediu educadamente para o próximo se assentar na cadeira, um jovem de cabelos lisos e louros e sentou-se confortavelmente . Colocou um pano em cima do corpo do cliente para impedir que os cabelos caem involuntariamente na roupa e prossegue :
- Como seras teu corte guri ?
- Seguindo a moda dos príncipes atuais, quero cortar meu cabelo bem curto.
Francisco frange a testa com amargura e indignado ...
- Seus cabelos são longos, lisos e ainda por cima louros, não pode fazer uma barbaridade desta! diz indignamente
- Mas esta na moda, quero segui-la...
- Moda? Seguir moda não é boa opção pra quem queres se parecer com um príncipe , eles não seguem moda alguma.
- Mas inventam moda e dão charme para qualquer moça que existe.
- Qualquer moça se derreteria por um príncipe, não pelo cabelo, nem pela honra , mas pelo glorioso e rico dinheiro que o sustenta pra sempre .
O jovem garoto que aparenta ter uns 17 anos, tenta esclarecer melhor do por que querer cortar o cabelo curto,começa a falar novamente das garotas e também do respeito que poderia ter com os mais velhos. Francisco repara que esta tentando convencer um jovem londrino a não cortar inteiramente curto seu cabelo e seu inconsciente o-o faz parar com a proeza misteriosa , poderia acabar com o sonho de juventude dele, talvez ele queira se tornar um príncipe e esta começando pelo cabelo, convencido não pelo garoto e sim pelo seu inconsciente , respira fundo e aborrecido por dentro, diz :
- Vamos ao corte !
O garoto abre um sorriso e espera ansiosamente pelo o corte. Frustado Francisco vai cortando aqueles cabelos lisos e louros passando de ponta a ponta a tesoura, agora sem dó , mas um pouco de aborrecimento por dentro que faz levar o olhar tristemente para os cabelos que vão caindo ao chão. Ao finalizar , fixadamente olha para o corte curto esperado pelo jovem e suspira solta um "VOILÀ" despertando sua presada origem francesa . O jovem olhando-se ao espelho, se encanta com o corte feito, foi o que havia pedido , seu olhar triunfante e seu pensamento profundo nas moças em que poderia seduzir o predominavam :
- Magnífico! Ficou mais esbelto do que eu esperava,muito obrigado Sr. Smeet !
Foi pago pelo trabalho feito, não cobra muito caro apesar de ter ganhado recentemente a fama de bom cortador, não pensou em aumentar o preço , consegue se sustentar com o dinheiro que recebe mas chega a ser surpreendente possuir objetos importados e caros , como quadros de "Charles Le Brun " , tesouras alemãs , um aparelho de rádio , vestimentos caros da época e alguns importados de Paris, cousas que nem todos tinham acesso e que teria que trabalhar duro para possuí-las ou por triste caso morrer desejando tais cousas.
As horas foram passando e mais clientes foram ficando totalmente satisfeitos e sem perceber que ainda havia uma ultima pessoa esperando ser atendida , começa a fechar o cabeleireiro mas de repente é interrompido por uma moça chamada de Manuela Monteiro, grande mulher que gosta de conversar, de o admira-lo e que aguardava a vez como todos :
- Não se esqueças de mim , Sr. Smeet ! - Ela sorri elegantemente para ele, ele frange a testa , coloca a mão em sua própria cabeça puxando seus cabelos , se repreendendo pela proeza tosca que ia cometer , mas logo se anima pela presença da senhorita Manuela, que pelo nome sabemos sua origem, PORTUGUESA não só dos pés a cabeça, mas do coração, do jeito nacionalista que é, ela estende a mão para que Francisco possa cumprimenta-la gentilmente :
- Não esqueças de mim mesmo , Sr. Smeet, eu preciso ficar bonita! ele como esperado delicadamente beija a mão esticada da senhorita Manuela :
- Não esquecerei madame , e outra senhorita Manuela , já és linda por natureza, não esqueça deste fato. Ela cora e é impossível esconder aqueles olhos cheios de ternura , doce voz sai de tua boca:
- O cavalheiro ainda não sabes que já tens certa intimidade para chamar-me só de Manu?
- Como quiser senhorita Manue eee querida Manu! ela abre um sorriso enorme mostrando quase todos os dentes .
- Pois então, vim cobrar-te um trabalho ,podes deixar-me bonita?
- Queres ficar bonita igual à Paris?
- Prefiro Serra De Alcoba , por favor!
- Cuidado, pode ser uma beleza extinta .
- Oras! Por quê? Como assim? indignada pergunta.
- André Masséna poderia muito bem derrubar tal lugar...
- Não digas tal bobeira , não sabes o que acabastes de dizeres! fugia o encanto que havia no olhar da senhorita Manuela, Francisco sabia como quebrar o gelo, assim ele volta à sua posição anterior de profissional. Indica com a mão onde ela deve se assentar, ela com um olhar indagador se assenta e espera por desculpas.
- Como preferes teu cabelo?
Ela dá de ombros e repugnada por dentro , deixa para lá, sabe que não terá a desculpa, nem a esfarrapada .
- Quero cachos.
- Cachos ? ele passa levemente suas mãos sobre o cabelo da senhorita Manuela e o massageia confortavelmente .
- Isto ! Corte bastante meu cabelo , para fazeres depois cachos !
Novamente passa a ficar revoltado com o desejo do corte da clientela .
- Já pensou em deixar crescer?
- Já, mas pareces Picardia da França, nunca crescestes ! ela ri amargamente da ironia que acabou de fazer e celebra:
- TOUCHÉE Frascisquinho!! Francisco também ri pra não chorar pois Picardia foi aonde nasceu .
- Sem mais. Posso fazer teus cachos ? Manuela ainda ria, mas a expressão pouca tenebrosa de Francisco a-a fez parar rapidamente.
Sem querer ouvir mais a voz da moça, liga teu rádio e sintoniza numa estação que transmite sem pena a nona sinfonia de Beethoven , os tenores tremiam o lugar , Francisco começou a trabalhar e também a cantarolar , e a sinfonia tornou-se o som ambiente do lugar no momento , mas que infelizmente para Francisco , Manuela o interrompe com uma voz seca e amarga:
- Vai-me dizeres que agora gostastes dos cruéis alemães?
-Não pode?
- Não sabes das ameaças que a Alemanha sonha fazer?
- Não... ele com leveza desliza a tesoura sobre parte de seus cabelos...
- Tomes cuidados, tente avisar teus compadres que ainda vivem na França.
- Sobre o que madame ? continua sem ligar para o que ela dizia, estava atento no trabalho e na linda sinfonia, cantarolava baixinho.
- Sobre Beethoven que não és ,sobre as ameaças claro. Ouvi falar dos planejamentos da Alemanha é melhor pedistes para teus conhecidos se retirarem de lá . Francisco frange a testa , a sinfonia o leva ao um estado em transe , começa a cortar rapidamente os cabelos da moça , o barulho da tesoura estava ficando cada vez mais escutável .Manuela não parava de falar. Francisco soava e também não aguentava aquela voz doce e ao mesmo tempo irritante . Olhou profundamente para a tesoura que piscou para ele e olhou fixadamente para o cabelo liso da madame, que subitamente puxa com força o rabo de cavalo dela, ela leva a tesoura no alto, fecha os olhos , escultando aqueles tenores encantadores , desce bruscamente a tesoura ,Manuela percebe que Francisco não esta lhe dando atenção vira-se de frente para ele, exatamente na hora que a tesoura descia e um corte é feito sobre sua bochecha. Um grito de espanto cala a noite , não há muito sangue, foi de raspão. Manuela assustada tenta entender o ocorrido , na verdade barbarizada tenta entender:
- TU ESTAIS MALUCO ? PIROU FOI ? QUASE TIROU-ME A BOCHECHA!
Francisco se desligou do transe que havia entrado , pois a sinfonia acabou . Frangiu a testa e apenas disse:
- Ops! Foi um deslize total ! Olhe para esta minha mão, estou ficando velho , esta mão não estas respondendo direito. Me desculpe , senhorita Manue... querida Manu! Mostra sua mão, culpando-a por ser velho . Ela como-o admira, qualquer desculpas dele serviria .
- Desculpo-o sim , lindo Francisquinho ! Mas tomais mais cuidado então, Paris podes precisar desta tua mão.
E o acaso foi resolvido sem mais nem menos . Ele mesmo fez o curativo e ainda terminou de fazer o cachos .
- Estais ái , teu corte "sa belle" !
- Estes cachos ficaram lindos demais , só não falo que é Serra De Alcoba por que ainda faltastes o meu planalto. após dizer a indireta, dá uma piscadela . Francisco se desculpa novamente. Ela sorri , dá um beijo na bochecha dele e coloca o dinheiro dentro de um de seus bolsos e diz :
- Até mais! Ela dás as costas ,sai do local toda pomposa e ele à segue até a porta...
- Até ... ele repara a escuridão da noite e completa - ' Bonne nuit madame'!
Deitado em sua cama, começa a pensar sobre o dia que acabou de passar e aquele velho tolo, não lhe saia da mente, não entendia do por que o constrangimento que ele gerou , Francisco pensava consigo : " Talvez seja um espanhol embriagado ou até mesmo um bruto russo" pensar isto lhe fazia soluçar de raiva , " MALDITOS RUSSOS " . Após a mal lembrança do velho senhor tolo, foi a vez de pensar em Manuela, uma portuguesa linda e que por acaso se apaixonou por Francisco , lembrou-se do corte que lhe fez e começou a murmurar de raiva:
Estava acordado ainda de madrugada, uma madrugada vazia,sem lua, sem estrelas,apenas lembranças e tais palavras " ...cabelos tão grandes assim" foram se repetindo até o sono aparecer.
De manhã, Francisco é acordado por barulhos que faziam no cabeleireiro , sempre se esquece da hora que marca o atendimento do primeiro cliente, levanta rapidamente , veste outra roupa e vai atender a porta do salão . É Ransino Ramirez , um dos soldados de policiamento local , nasceu em Londres , virou soldado para tentar proteger sua família a qual daria sua vida para salva-la e também para fazer o bem para a pessoas, mas este bem não pode ser incluso de mencionamos a corrupção em que se envolveria junto com alguns dos outros soldados , aceitar dinheiro sujo não é um caminho para o bem. Ainda não lembrado da hora marcada , abre a porta e brinca:
- Sr. Ramirez, viestes proteger meu salão?
Ramirez aceitou a brincadeira e o respondeu com um sorriso continuo de palavras:
- Mas é claro, a segurança ter que estar sempre por perto né senhor Francisco?
- Agradeço a importância, qualquer dia compareça novamente para aparar teu cabelo ou fazer tua barba
Ramirez olha contraído , sem entender :
- O senhor me disse isto anteontem quando me viu no centro fazendo vigilância , por isto estou aqui!
Francisco frange a testa e dá um tapa rápido em sua cabeça, só agora foi lembrar disto:
- Que velho estou ficando! Desculpa-me senhor Ramirez , podes entrar, repare é tudo humilde.
- Elegante e conservado estabelecimento o senhor tem! Estes quadros de "Charles Le Brun " decorou bem o lugar. Agora que esta famoso por ser um ótimo barbeiro/cabeleireiro deve estar ganhando um bom dinheiro ... Francisco olha para ele contrariando com os olhos.
- Quem vê até pensa que me abrigo em um país que tem o feudalismo como o sistema econômico .
Os dois riram sutilmente .
- Podemos começar o seu corte Sr. Ramirez ?
- Sim,mas primeiro pode me responder uma coisa?
- Claro... Francisco coça seu cabelo e frangindo a testa esperando a pergunta ser feita.
- Por que há manchas de sangue nesta tesoura caída no chão? Francisco olha para o objeto com marcas de sangue , pega-o pela mão , examina-o , após isto respira fundo e diz :
- Sabes , além de ter esta segurança para as pessoas neste lugar, devem investir em limpeza , ontem mesmo tive que matar um rato com esta tesoura. A mentira ecoa no seu subconsciente . " Matei um rato, huum " e ria alargadamente no pensamento .
- Ratos! Estão realmente por todas as partes deste bairro, vou pedir para algum grupo de limpeza inspecionar o motivo deles por estarem atoa por aí! A mentira até que caiu bem, os ratos realmente me atormentam as vezes , não só como eu mas o resto do povo que mora aqui.
- Certo. Pode me dizer agora, o que vai ser? Corte? Barba?
-Faça apenas minha barba por favor...
- ' bien . ' Francisco abre uma das gavetas de um pequeno armário e tira de lá uma navalha francesa , não tão afiada, por isso tenta afiar mais passando a lamina em tipo de aço . Retira também dentro da gaveta, um liquido que faz espumas é o que diminui a chance de machucar e cortar o que não é pra se cortar . Passando o liquido com o silencio ainda presente , Sr. Ramirez puxa algum assunto polemico :
- Ficou sabendo do incêndio ? Francisco frange a testa tentando observar Sr. Ramirez pelo espelho.
- Não, que incêndio? Volta a passar o resto do liquido
- O que aconteceu na semana passada no manicômio , aqui mesmo em Londres. A fala de Sr. Ramirez parece querer colocar um certo medo , por isso fala a ultima frase pausadamente.
- Dá um certo... é ... medo! Novamente Francisco observa a face de Ramirez pelo espelho, não lhe despertou medo, ainda.
- Quem foram os vândalos ? Talvez sejam os malditos russos !
- O pior é isso, ainda não sabemos, estamos investigando o caso. Revira a boca pro lado expressando
uma insensatez e continua:
- E não sei se sabe, o manicômio hospedava refugiados da Africa do Sul , do Iraque , do Canadá e da... e da França , espeficamente falando do lugar de origem dos refugiados Pilardia... " Pilardia?" Pensa cautelosamente " Como isto? como pode ainda haver,quer dizer como havia mais sobreviventes ? " ,além deste pensamento uma cena passou em sua mente ,' estava correndo sem direção alguma, só corria, e corria e enquanto corria olhava para os lados , onde havia muitos corpos ao chão , todos mortos, outros quase mortos implorando para acaberem com o sofrimento, chegando em algum lugar , encontra ainda escravos negros , e por curiosidade também brancos , todos são forçadamente amarrados e presos dentro de gaiolas e assim colocados em um barco, o rumo? sabes lá .' acordou dos pensamentos e tornou-se a fazer a barba de Ramirez. Ramirez sabia qual a origem de Francisco , mas não conhecia toda a sua história, só a parte da origem igual todos os outros que o conheciam , ninguém teve acesso a coisas mais intimas , ainda por que ele não era casado e o estranho mesmo era que ninguém nunca viu sua família , sua vida é misteriosa .
- Tem saudades da França? Quebra preciosamente o silencio .
- Tenho saudades sim, menos de Luís Bonaparte...
- O golpeador de estados que virou imperador ?
- O próprio! Fala com um tom odiador .
- Se não fosse pelo sobrenome ...
- O incrível é que um homem só conseguiu derrubar 3 cidades da própria pátria , simplesmente anulou, tirou de foco , as 3.
O diálogo esquenta, e o trabalho também, Francisco já esta retirando grandes pelos da barba do soldado . - E assim o novo regime esmagou a Comuna de Paris e insurreição operária ficou animada por ideais socialistas. Inspira ar e solta contra o vento ... - Todos os países, tem seus altos e baixos...
- 'oui ' , mas meu país, pode ser visto como " alto " mas se for procurar saber em que o estado/ império ajudou o povo, vai ficar de queixo caído! Diz " caído " terminando a barba , esta totalmente feita, Ramirez percebe que acabou, se olha ao espelho sorridente e faz uma pergunta intimidadora :
- O senhor nunca errou não?
- Nunca errei o que? Estranha Francisco...
- Esta navalha, nunca enfio-a sem querer em um pescoço , ou afundou-a no rosto de alguém? Aquela pergunta faz o corpo dele esfriar, as mãos estremecem , ele aperta-as tentando esconder isto...
- Por que a pergunta Senhor Ramirez?
- Bom,o senhor é bom no que faz, uma curiosidade... e então...? Um sorriso falso aparece no rosto de Francisco, um olhar malvado e repugnante lhe faz companhia , o olhar se desvia para a navalha que em cima do pequeno armário a sua frente, ela esta brilhando intensamente,nela por loucura há o reflexo da parte do pescoço de Ramirez,esquiva o olhar , e direciona seus olhos novamente para o soldado, frange a testa e prossegue para a resposta:
- Mas é claro que não, Sr Ramirez! Sei muito bem o que faço .
- Que bom que sabe, foi bom lhe ver, se precisar é só me chamar no posto de soldados ali no centro,vou indo. Até mais.
-Até... ao fechar a porta, a pergunta estimula seu cérebro a pensar diversas coisas, mas a primeira reação do seu corpo , foi abrir um sorriso de ponta a ponta " nunca enfiei a navalha no pescoço de alguém " .Francisco percebe que Sr.Ramirez não lhe deu pelo menos um agrado mas também lembrou da segurança de ele poderia lhe trazer ' Que segurança o que , outro dia dois vândalos roubaram-me fui falar a ele no centro , e aqui esta este imbecil , fazendo a barba de graça ' seu inconsciente o lembra.
O dia não foi tão longo,passou tão rápido que olhou ao seu relógio cuco marcando 00:01, foi fechar o salão, mas uma moça o impediu e desta vez não era Manuela, ele desconhecia a senhorita à porta .
- Posso ajuda-la?
- Preciso de um corte rápido... Ele subitamente enxerga apenas os cabelos longos e encaracolados
- Cabelos longos bonitos... seu sorriso extravagante é impossível não perceber.
- Obrigada, estou deixando-o crescer, apenas quero tirar o volume. Ele triunfa pelo pensamento ' uma cliente querendo deixar o cabelo crescer, estava na hora já . '
- Estava à fechar, mas vou abrir uma exceção, por causa da beleza do seus cabelos.
- Oh! Obrigada mesmo, o senhor é muito gentil . E desculpa por não me apresentar , minha graça é Anastacia Cortez , e o senhor deve ser o famoso Francisco né? ele admira o nome e cora por ela saber teu nome.
- Que lindo nome! Sim sou Francisco Smeet , ao seu dispor Srt. Cortez . Sente-se e fique a vontade neste assento .
- Ficarei a vontade. Seu inconsciente implora para ele tocar nos cabelos longos dela e uma voz sussurra baixinho ' ela é espanhola ou holandesa ' e ele obedece , passa a massagear os fios compridos . Está com um sorriso no rosto e também no pensamento, pois pensa " ela vai deixar o cabelo crescer, isto é bom, muito bom , o cabelo dela até que esta grande, posso prova-los tocando-os suavemente " . Ele com a tesoura na mão, olhando e ainda admirando o cabelo da mulher diz:
- Vamos ao trabalho! liga o seu rádio , deixa tocar EDWARD GERMAN e começa tirar o volume, como foi pedido.
Francisco realmente ama o que faz, esse dom de cortar perfeitamente cabelos e fazer barbas , vem desdo seus antepassados , seu bisavô fazia a barba dos soldados da França em 1756 , já seu avô foi coronel do exercito da França 1794 , por esse fato, Francisco teve problemas quando veio para Inglaterra, mesmo sendo do exercito , seu avô costumava cortar os cabelos de alguns soldados que tinha mais contato , seu pai também foi um grande cabeleireiro e tinha também seu próprio salão.
Finalizando a tiração do excesso de cabelo, Francisco pede para ela inclinar a cabeça para baixo , para poder dar um " toque final " , com ela fazendo isto, ele pôde reparar a belezura das pontas louras do cabelo dela, admira-os disfarçadamente , quer saber se é realmente viável deixar o cabelo crescer bem mais, segura de leve algumas pontas,puxa devagar e diz secamente:
- Hmm, seu cabelo pode crescer bem mais... e ficar bem MAIS bonito... ela sorri de alegria pela informação.
Com a música de EDWARD GERMAN soando lindamente em seus ouvidos , começa aprimorar o " toque final " , em sua mão direita está agora uma lamina , pensa em desfiar algumas pontas para crescer perfeitamente . Com ela ainda inclinada ,Francisco volta a passar as mãos na parte de trás do cabelo dela , fazendo com que abra uma alegria discretamente por dentro da mulher , Francisco com os olhos suspeitos aperta o rabo-de-cavalo com força e levanta-o à cima , os olhos dele agora estão fechados, sua mão direita que segura lamina começa a tremer aos poucos, após levantar a mão direita ao ar, vai descendo loucamente em direção cega , pois seus olhos continuam fechados , semi-abre um olho e tenta enxergar aonde a lamina vai descer. Uma visão profunda, parecendo uma ilusão , faz com que ele mude a direção da lamina, assim acerta o estofamento velho do assento . Francisco arreganha os olhos de espanto ao olhar no pescoço dela um desenho de um brasão que representa as armas do Segundo Império Francês por Napoleão III . O puxão de cabelo havia sido dolorido e a senhorita Cortez estranhou a ação e então balbucia:
- S-sr. Francisco? Milhares de fatos e curiosidades estão passando no momento pela cabeça de Francisco e apenas uma curiosidade tenta tirar:
- A senhorita é francesa? Ela abre um belo sorriso:
- Sim, eu sou francesa com muito orgulho. Por que? O senhor tem algo contra? diz jogando um ar de mistério .
- Muito pelo contrário , admiro a França, aliás nasci lá, só não entendo o brasão em seu pescoço...
-Ora!? Nunca ouvistes falar da Guerra do cem anos? De Joana D'arc ? agora seu sorriso some e seu olhar aprofunda no rosto de Francisco.
- Mas é claro! Mas as épocas não batem ... o sorriso da mulher volta e deixa a entender que estava sendo sarcástica .
- Vou explicar-te ... Não é atoa que meu sobrenome é Cortez. Meu pai Acace Cortes, foi general de um exercito de Napoleão III que se localizava em Lorena , morávamos numa região não muito habitada e também não muito protegida, o lugar era atacado a cada 5 meses e as tropas não estavam totalmente preparadas para os ataques . Um suposto dia, minha casa foi invadida por terroristas ingleses , perversos traidores ,começaram a atirar objetos que queimavam quando entravam em contato com a madeira, a primeira coisa que meu pai fez foi nos levar para o nosso pequeno barco de pesca que ficava no rio do lado de nossa casa , minha mãe e mais dois irmãos meus remavam o barco e eu fui observando o fogo que imediatamente transformou tudo em enormes chamas destruindo tudo que havia , inclusive meu pai. Meu pai lutou pela pátria e também pela família que amava.O rio que estávamos se deságua no Mar do Norte, a partir de um momento não precisávamos mais remar, pois o mar nos conduzia ou na verdade nos deixava à deriva mas nos fez desembarcar na Grã-Bretanha , foi logo no tempo em que o país estava em confronto com a Argentina . O local do desembarque, por nenhuma sorte, foi no território pós-invadido e conquistado ao lado argentino , fomos amordaçados , sem ter direitos nos tornamos escravos,assim passamos a limpar fuzis e carregar bombas para os ataques. Algum dia de festa, celebrando algum outro território tomado,todos os soldados estavam embriagados inclusive o Capitão deles, ele era conhecido por diversos confrontos ganhos. O Capitão se chamava Hector Nacho , sua embriaguez era notável . Como eu era a única mulher em volta deles, tornaram a me olhar famintos, o Capitão principalmente, eu estava limpando os fuzis , ele veio me agarrar e tentar tirar a pureza do meu corpo, me arrastou para dentro de uma cabana de madeira , foi passando aquelas mão nojentas em mim, jogou-me com força num lençol velho e começou a desmontar seu uniforme de Capitão. Eu como grande admiradora de Joana D'arc, com grande extinto de guerrilheira e também com grande ódio por tudo que estava acontecendo, não quis deixar ele terminar de desmontar tal uniforme, chutei-o com tanta força que o fiz cair ao chão , logo percebi que havia um fuzil em cima de uma mesa , sem recuar , sem pena , apontei para a face de Nacho e fuzilei-o sem parar. O barulho do fuzil fez com que todos se espantassem e por extremo mistério o barulho do meu fuzil não foi o único estrondo que ecoou pelo ar, os britânicos armaram uma cilada a eles e intercalaram o dia, matando quase todos que estavam ali . Por sorte escapei do lugar e corri por incrível que pareça até Londres , chegando lá.. aqui , consegui me estabelecer , uma família me deu abrigo e é onde vivo até hoje. Francisco ouvindo atentamente a conversa, mas por instantes corre o pensamento furiosamente para Napoleão III " O pai dela era capitão do pior imperador que existiu , o pior e o mais sem coração... bem feito pelo oco... " ia pensar tal asneira e logo completou o pensar " na verdade foi terrível o que ela passou, quanta pena ".
- Mas e sua mão e seu irmão? Também foram mortos pelos britânicos naquela cilada?
-Não posso culpar ninguém,talvez os argentinos matara-os depois que Nacho foi fuzilado. Francisco frange a testa e concorda no pensamento que aquilo fazia sentido.
- Teve muita coragem senhorita Cortez .
- Tive a coragem de Joana D'arc !
- Gosta mesmo dela, não?
- Sem dúvidas...
- Já tinha escultado sobre este tal capitão Nacho, realmente o que descreviam dele era: depravado e dominador de territórios de pessoas pobres. Tenho um enorme ódio por dominadores de territórios...
- Por qual motivo?
- Por todos...
- Parece teres uma história parecida com a minha, estou errada?
- Talvez sim... e talvez... não.
- Como assim? Francisco guarda os objetos usados no salão e tenta encerrar o assunto.
- Vamos deixar isto pra lá!
- Tudo bem...
- Retirei todo o volume que havia em teu cabelo, deixe-o crescer que ficará belíssimo . Francisco repara só agora na vestimenta da senhorita Cortez e confirma no pensamento " Realmente uma francesa "
- Vou deixa-lo crescer sim...
- Pois isto é só, volte quando quiser, cher française !
-Merci! Ela agradece e vai embora.
Francisco em extrema inércia , se banha e deita para tentar dormir. Antes de adormecer, pensa na francesa vingadora ou melhor lutadora por direitos , a história que Cortez contou lhe fez meditar " Talvez Napoleão Três que armou aquela barbaridade contada ". Ele tem segredos guardados no coração , sentimentos por alguém, ele não demonstra nem pouco , mas todo dia antes de dormir , algo o atormentava-o , como sempre era senhorita Manuela e rapidamente seus pensamentos o levam até ela, a bela portuguesa . Aqueles olhos azuis azucrinando-o mentalmente, piscando lentamente para ele e a boca falando suavemente doces palavras,quis tocar aquelas mão delicadas,, " Ah! aqueles lábios de veludo ", admirado com o pensamento , deseja encostar os seus próprios lábios nos dela . Suplicou para que o sono chega-se logo, na manhã seguinte quer vê-la , não aguentou mais o deliro , a pertubação, apesar do curioso fato dele não manifestar ainda seus sentimentos por Manuela e ainda mais menospreza-la quando estão perto um do outro , ele rejeitou passar mais noites em claro pensando em Manuela. Não demorou muito a súplica foi atendida .
Manhã ensolarada . Portas tocadas . Assobios .
-FRANCISCO?! O que fazes aqui nobre homem?! Lisonjeada , Manuela leva o olhar profundo até os olhos de mel de Francisco.
-Vim vê-la ! Agora encantada , mal consegue respirar,olhos brilhandos e ainda mais revolveu-lhe as estranhas .
- Vi... vieste me ver? Ela balbucia não acreditando .
- Sim , algum incômodo ?
- De maneira alguma! Entre e sejas bem-vido . Indicou-o com a mão esquerda a entrada pois a direita tremia discretamente atrás das costas.
- Merci !
- O senhor também é nacionalista não?
-Não ao extremo ... posso me sentar ? Diz olhando em voltas,vendo muitos assentos e esperando ela pedir para tomar um deles. Manuela toda entretida e feliz com a presença dele , fez com o que se esquecesse dos assentos , mas logo fez-lhe a vontade:
- Claro , que podes se assentares ! Ficais a vontade ... Ele senta, ela continua de pé. - Vou pegar uma xícara de chá para o senhor , tudo bem?
- Chá? Uma careta é feita.
-Não gostais ?
- Prefiro café ...
- Vou preparar para tu ...
- Eu espero Manuela vai rumo sua cozinha preparar o café e no seu subconsciente pula de alegria . Francisco observa cada detalhe da casa , tudo faz referencia e preferencia à Portugal . Há um móvel que em cima dele se encontram diversos enfeites . Francisco levanta e vai até onde está o móvel, vai admirando com os olhos, objetos raros e é claro todos de origem portuguesa. Ele arreganha os olhos ao ver um colar de perolas (também de origem portuguesa) , subitamente seu pensamento volta no tempo e relembra o dia em que conheceu Manuela:
' - Vida ao rei , glória a rainha ! diziam milhares de pessoas londrinas após um belo discurso do rei no centro. Francisco estava também assistindo o discurso,junto com um conhecido chamado Adam Gomes,37 anos, só não era francês por que nasceu em Londres, mas amava e ama de paixão a França .
- Este rei, ainda cai, tu verás ! Francisco abre um diálogo .
- Já esta caído . Tu ouviu o que este bastado disse? Melhorar o exercito londrino para a segurança do povo... ele só pode estar sendo irônico ...
- Pois é. Agora as crianças param de estudar para desejarem serem soldados ou até mesmo príncipes .
- Será que ninguém se atreve a derruba-lo? Destruí-lo ?
- Olhe para este povo, olhe bem, acha mesmo que alguém o odeia ? Ele faz a cabeça destes tristes pobres.
- Realmente terrível tal situação do povo que o adora como se fosse um deus grego. Ele finge que dá alimentos, mas no fim o povo acaba pagando , com trabalhos totalmente pesados, trabalho desonesto e escravo.
- E quem se lasca também são os estrangeiros , pagando impostos absurdos com valores inexistentes em nenhum país . Apenas por ser francês e ter um comércio aqui.
- Pelo menos explicou ao governo , como chegou até aqui?
- Acha mesmo que eles se importam com um exilado ? Adam balança sua cabeça para os lados , emburrando-se .
Sem controle um ser passando desastrosamente por eles fazendo-os cair ao chão e gritos femininos são escultados:
- Socorram-me ! Aquele medíocre roubou meu colar de perolas ! Os dois se levantaram e enxergaram a bela moça correndo toda pomposa atrás do ladrão e pedindo ajuda. Os olhos de Francisco brilham por admiração , os cabelos longos da moça saltavam pelo ar. Adam faz com que Francisco acorde da deliração e admiração no subconsciente:
- Tu viu? Aquele ladrão correu para direção do seu salão, podemos pega-lo .
Os dois passaram a correr rapidamente atrás do ladrão, com um olhar distante, eles conseguem ver o rapaz parado numa esquina negociando o colar de perolas com outra pessoa , o ódio cada mais o consumiam , apertavam também cada vez mais os passos largos ao correr, mas foi tarde a negociação foi feita e Francisco não deixou passar:
-Venha aqui seu infeliz ! Puxo-o o ladrão pelo braço , ele tentou correr, mas Adam o segurou também.
- Os senhores não tem medo de morrer? Perguntava o ladrão.
- Por que deveríamos ter medo de um rapaz que assalta moças indefesas? Diz Adam amargamente .
-Posso muito bem me livrar dos senhores ... O ladrão empurra Adam, assim caindo , o ladrão pula em cima dele puxa de um de seus bolsos uma adaga enferrujada e enfia não tão profundo na barriga de Adam fazendo-o gritar de dor. Francisco fervendo de ódio voltou a segurar o ladrão pelos braços , sem dar chances de se soltar desta vez, chacoalhava-o sem parar. O ladrão usava uma boina que cobria seu cabelo , mas com chacoalho , fez com que caísse o que cobria os cabelos . Pontas loiras estavam expostas ao sol e um olhar profundo de ódio de Francisco também.
-Tu és russo ? Perguntou sem hesitar, já sabendo a resposta.
- S..sim , sou... deixe-me ir seu londrino bastardo ! Um sorriso de ponta a ponta foi aberto.
- Senhor ladrão de perolas , o senhor será exilado apenas com um "toque final " !
- Co...como??!! Francisco retirou do seu cinto que usava e usa para guardar alguns objetos de cabeleireiro , uma lamina ponta aguda , afiadíssima levou-a ao ar, fechou os olhos , puxou alguns dos cabelo do russo e desceu o objeto cortante brutalmente no pescoço dele , perfurando profundamente a pele deixando-o sem fala e morrendo rapidamente . Francisco após cometer tal parecido ato heroico continua a " jornada heroica " ajuda seu companheiro a se levantar e pede a ele ficar segurando firme um pano no ferimento . Voltaram ao centro e ainda estava lá a moça.
-Pegaram ele? Adam abre um sorriso e diz ironicamente :
- Acho que dá pra ver pelo meu corte na barriga... A moça acaba ficando chocada :
- Mas que medíocre , como pudera alguém fazer isto com as pessoas?
- Não se preocupe, tome de volta teu colar! Francisco entrega nas mãos da moça o colar de perolas roubado , Adam estranha :
- Como conseguiu de volta? Ele não tinha...
- Tu estava ainda gemendo de dor, enquanto eu renegociava o colar com o negociador ...
- Grande Francisco. Admirou Adam.A moça não mais chocada com caso mas impressionada com o que aconteceu :
- Eu lhe agradeço mil vezes por tal ato heroico que fizestes , senhor... Francisco isso?
- Isto , Francisco Smeet , um dos melhores cabeleireiros da cidade ao seu dispor , madame...
- Convencido não? Diz Adam com graça.
-Bom, qualquer dia a senhorita pode ir ao meu salão e assim comprova se sou ou não um dos melhores! Francisco esta delirando de admiração por aqueles cabelos longos da moça. Informa aonde esta localizado o salão e pretende ir embora, mas com esperança que a moça vá ao teu salão.
- Tudo bem , eu irei qualquer dia! Ela se empolga e deixa a admiração leva-la , olhos brilhantes focados nos de Francisco fazendo a hesitar as suas palavras , queria mesmo era ficar só olhando para ele .
- Estamos indo senhorita... como é mesmo teu...
- Manu... '
- FRANCISCO?! Estais dormindo em pé ? Aqui esta seu café... Ele acorda dos pensamentos e também se esquece que estava com o colar da mão e pelo susto que levou derruba-o sem querer.
-Desculpa-me , eu estava apenas admirando tais enfeites . Segura a xícara de café.
-Tudo vem de Portugal, minha paixão por lá não tem fim .
- Só não entendo uma cousa ...
- O quê?
- Por que este colar virou enfeite? Ele diz pegando o colar do chão e Manuela cora e fica toda avermelhada :
- Para lembrar-me... Ele nem deixou falar o restante apenas completou:
- Para lembrar de mim ? Ela sorri toda abobada
- É...é , para me lembrares de ti... Ela esta com um olhar totalmente apaixonante , ele foge .
- Vou provar o café! Diz levantando a xícara até a boca, degustando com apenas um pequeno gole percebe algo que não lhe agrada:
- Esta sem AÇÚCAR ! Faz uma careta e enquanto Manuela continua o observando amorosamente :
- T-udo bem, vou adoça-lo , espere um pouco ! Ela vai rapidamente para a cozinha adocicar o café , com certa raiva no pensamento , por não ter feito direito . Francisco volta seu olhar curioso aos objetos que servem agora de enfeites mas em seu pensamento esta naquele café amargo e não apenas sem açúcar , não gostou nenhum pouco. O desejo de ter Manuela passou, simplesmente . Ele estranha. Começa se perguntar " e aquele todo desejo de noite ? " , talvez fosse apenas raiva pelo café que fez passar o desejo, não querendo ter certas ilusões platônicas à noite , vai até a cozinha a encontro de Manuela, ela esta procurando o açúcar em um armário e nem percebe a presença dele . Francisco envolve-a com os braços , fazendo com que ela se assuste mas ao ver o agarramento dos braços torna o amoroso olhar , ele não aprofundou o olhar, apenas quis saborear lentamente os lábios dela , passando devagar os próprios lábios nos dela , tendo feito Manuela se arrepiar e acender cada vez mais a chama da paixão , o beijo vai crescendo e vigorosamente os lábios vão se encostando .
- F-f-Francisco? Balbucia ela bem baixinho .
- Eu.
- Tu me beijastes... Ela parecia não acreditar, no que acabou de ocorrer.
- Sim , eu a beijei.
- Por quê homem da França? Ele aperta os olhos, tentando fugir do por quê, por que se lembra da noite passada.
- Acho... acho que foi por que senti vontade
- Isto é bom!
- Teu beijo é bom, é doce, não igual ao café, mas é adocicado e suave. Ela esta em um estado de impossível descrição de admiração , esta apaixonada demais. Já Francisco ainda estranha do por que não esta do mesmo jeito que estava à noite passada. - Bom, agora preciso ir, tenho clientes a minha espera!
Inteiramente enrubescida , Manuela força os olhos pedindo para que ele não vá,mas ele recua a doçura dá-lhe um pequeno beijo e vai embora , rumo ao salão. Manuela com os sentimentos ardendo a pele , chora e clama por Francisco, sem entender nada do que ocorreu.
No caminho, Francisco tenta esquecer a cena do beijo, mas aprofunda na lembrança do dia em que conheceu Manuela, principalmente na parte em que corre atrás do ladrão Russo. Chegando ao salão , estão clientes emburrados pela falta de responsabilidade dele de não atende-los na hora exata . Mas Francisco conseguiu acalma-los dando algum desconto pelas hora esperadas . Passou o dia desejando não desejar Manuela à noite e também esperando com que ela não se entristeça por ele não poder corresponder certo sentimento . " Talvez eu deva encontra-la sempre a noite , naquelas certas horas " pensa ele . Sem delongas o dia foi ficando curto, igual aos cabelos que Francisco cortava, que o deixava nada alegre . Tudo que ele queria no momento foi concedido como mágica , uma mulher impecavelmente loura de cabelos longos,pele branca , era sua última cliente, com olhar admirado pediu à mulher para se assentar .
- Como é seu nome senhorita?
- Me chamo Natacha Nicolai . Ele percebe um sotaque russo , mas continua.
- É um prazer atende-la , senhorita Nicolai... Não me digas que quer diminuir o comprimento do teu cabelo? Pergunta espantado , lembrando das outras pessoas que pediram isto recentemente .
-Não, jamais faria isto. Gosto do meu cabelo grande, apenas retire o volume por favor!
- Como quiser ma chère femme ! Ela sorri e também percebe seu sotaque estranheiro .
- Oh um cabeleireiro francês! Francisco abre um sorriso misterioso .
- Sim, madame ! Posso começar?
- Quando quiser...
Francisco liga seu rádio , a nona sinfonia de Beethoven e começou a tirar todo o volume do cabelo da mulher no ritmo da canção.
- Amadeus Mozart? Prefiro Sergei Rachmaninoff . O que acha desse maravilhoso músico ?
Francisco não parece se importar .
- Não conheço... A mulher se revolta e aumenta um pouco o tom da voz pela surpresa .
-CO...OOMO NÃO? Um dos melhores músicos do mundo, isso se ele já não é.
- Não para a mim, nem para o povo de Londres . Aqui quase todo mundo ouve Edward German.
- Pequeno bastado este músico, não soa notas coerentes aos meus ouvidos . E se vir falar de Vivaldi e Gustav Mahler , já saberei que tem um certo mal gosto musical .
Francisco revira os olhos , tentando adstringir-se de acordo a música, estava focando o olhar apenas no cabelo da mulher, não queria conversa , sua boca havia deixado de lado o sorriso misterioso mas o olhar o aprofundava no mistério que é a felicidade que lhe abre quando vê e toca em um cabelo comprido .
- ... e então sr.Smeet, não irá nem opinar sobre minha visão sobre tais músicos ?
- Se a senhorita saber tocar violino melhor que Vivaldi,eu apoio-a . Diz ironicamente .
- Se me der uma harpa garanto que tocarei grande canções .
-Harpa? Ele revira a cabeça não gostando do instrumento dito .
- Sim, um som de triunfo , de tranquilidade .
- Não me lembro de Beethoven ter harpas nas sinfonias ...
- Não se cansa de ser irônico ?
- Desculpe-me...
A conversa se encerrou com um silêncio das vozes, as únicas vozes que surgiram foram do coral da canção,que deu inspiração para Francisco fazendo cortar perfeitamente cada fio de cabelo com volume.
-Estamos a terminar... Diz Francisco passando a ponta de uma lamina em um ferro tentando afiar . - Inclina-te tua cabeça um pouco para baixo . Pediu ele, ela obedeceu.
- Vou apenas dar um toque final. Afiou o suficiente a lamina . Suspirou . Ouvidos fluidos . Coral exalando . Mão direita segurando a lamina que vai se levantando , seus olhos apavoradores no pescoço da senhorita Nicolai.
- Senhorita Nicolai...
- Diga-me! Ela atende o chamado ainda inclinada .
- ... me confirme uma coisa ...
- O que ?
- A senhorita é russa não é ?
- Sim, sou por quê?
O sorriso maldoso vai de ponta a ponta das orelhas .A canção vai à extrema tensão e o leva ao ponto mais alto da inspiração , desce loucamente a lamina no pescoço da senhorita Nicolai . Foi apunhalando a lamina cada vez mais rápido e por incrível que pareça no ritmo da música; a orquestra, o perfuro , composição alemã,o sangue jorrado, lamina super afiada, coral afinadíssimo ,a música para de tocar e a morte é súbita .
Ao encontrar a tesoura , começa a tesourar alguns fiozinhos de cabelo que ainda havia na careca de um senhor já de idade, Francisco se perguntava o por que esse senhor após fazer a barba pediu para cortar o cabelo, não havia muito cabelo a cortar só pequenas tesouradas já estaria feito o trabalho e como de fato o mistério vem a tona , ele queria mesmo era estar tocando em um cabelo extremamente cumprido e liso . Francisco , por curiosidade tem um cabelo muito bom , uma franja curta e repicada sobre um pouco de sua testa mas quando frange consegue tocar os cílios , frangir a testa é o seu tic-nervoso, tem olhos escuros e profundos, chega a ser amedrontante olhar diretamente em seus olhos, sua idade nunca foi revelada , parece ter uns 28 anos mas sua barba falhada entrega idades um pouco mais velhas e sua casa fica aos fundos do salão. O senhor que espera a careca ser aparada , olha a cada 5 minutos para o relógio cuco que se encontra ao lado da porta de entrada, parece estar com pressa , e logo então tenta apressar Francisco :
- Vamos logo com isto não tenho todo o tempo do mundo! Além do mais já sou careca,não há muito coisa à cortar...!
- Desculpa-me mas é que realmente este processo de fazer tua barba e desfiar alguns fios dos teus poucos cabelos é demorado , e outra faz apenas 20 minutos que comecei.
- 20 minutos? Nossa como o tempo voa! Quanto tempo vai demorar?
- Talvez uns 10 minutos...
- Talvez ? Meu caro, você demora muito para fazer tais coisas, além do mais minha barba parece estar mal feita - o cliente vira o rosto para cada lado observando sua barba pós-feita , e por não ser incrível o aparecer estava perfeitamente feita, ele estava apenas debochando da situação. - Corte logo estes malditos restos de cabelo que me faltam !
- Estou tentando, mas se continuar a tirar-me concentração não será possível isto...
Um barulho estrondo se faz quando o cliente impaciente bate suas mãos no balcão que há na sua frente, ele se levanta e diz bruscamente:
-DEIXE, DEIXE! Não quero cortar mais esta porcaria , vá aprender a atender bem seus clientes, seu tolo!
e rapidamente deixa o local sem se quer pagar a barba que foi feita. ,batendo a porta com força ,querendo mostrar sua raiva . Francisco estranhou pois fazia muito tempo que um cliente não reclamava de seu trabalho, talvez fosse pelo desastroso momento em que ele tentava achar a tesoura perdida , ou pela certeza , coerente maldade e estranheza que aquele cliente havia. O resto da clientela que estava esperando também ficaram surpresos com a situação, mas não os impediu de continuar a esperar pela a vez , pois muitos deles confiam em Francisco e sabem que ele jamais os deixariam na mão . Francisco pediu educadamente para o próximo se assentar na cadeira, um jovem de cabelos lisos e louros e sentou-se confortavelmente . Colocou um pano em cima do corpo do cliente para impedir que os cabelos caem involuntariamente na roupa e prossegue :
- Como seras teu corte guri ?
- Seguindo a moda dos príncipes atuais, quero cortar meu cabelo bem curto.
Francisco frange a testa com amargura e indignado ...
- Seus cabelos são longos, lisos e ainda por cima louros, não pode fazer uma barbaridade desta! diz indignamente
- Mas esta na moda, quero segui-la...
- Moda? Seguir moda não é boa opção pra quem queres se parecer com um príncipe , eles não seguem moda alguma.
- Mas inventam moda e dão charme para qualquer moça que existe.
- Qualquer moça se derreteria por um príncipe, não pelo cabelo, nem pela honra , mas pelo glorioso e rico dinheiro que o sustenta pra sempre .
O jovem garoto que aparenta ter uns 17 anos, tenta esclarecer melhor do por que querer cortar o cabelo curto,começa a falar novamente das garotas e também do respeito que poderia ter com os mais velhos. Francisco repara que esta tentando convencer um jovem londrino a não cortar inteiramente curto seu cabelo e seu inconsciente o-o faz parar com a proeza misteriosa , poderia acabar com o sonho de juventude dele, talvez ele queira se tornar um príncipe e esta começando pelo cabelo, convencido não pelo garoto e sim pelo seu inconsciente , respira fundo e aborrecido por dentro, diz :
- Vamos ao corte !
O garoto abre um sorriso e espera ansiosamente pelo o corte. Frustado Francisco vai cortando aqueles cabelos lisos e louros passando de ponta a ponta a tesoura, agora sem dó , mas um pouco de aborrecimento por dentro que faz levar o olhar tristemente para os cabelos que vão caindo ao chão. Ao finalizar , fixadamente olha para o corte curto esperado pelo jovem e suspira solta um "VOILÀ" despertando sua presada origem francesa . O jovem olhando-se ao espelho, se encanta com o corte feito, foi o que havia pedido , seu olhar triunfante e seu pensamento profundo nas moças em que poderia seduzir o predominavam :
- Magnífico! Ficou mais esbelto do que eu esperava,muito obrigado Sr. Smeet !
Foi pago pelo trabalho feito, não cobra muito caro apesar de ter ganhado recentemente a fama de bom cortador, não pensou em aumentar o preço , consegue se sustentar com o dinheiro que recebe mas chega a ser surpreendente possuir objetos importados e caros , como quadros de "Charles Le Brun " , tesouras alemãs , um aparelho de rádio , vestimentos caros da época e alguns importados de Paris, cousas que nem todos tinham acesso e que teria que trabalhar duro para possuí-las ou por triste caso morrer desejando tais cousas.
As horas foram passando e mais clientes foram ficando totalmente satisfeitos e sem perceber que ainda havia uma ultima pessoa esperando ser atendida , começa a fechar o cabeleireiro mas de repente é interrompido por uma moça chamada de Manuela Monteiro, grande mulher que gosta de conversar, de o admira-lo e que aguardava a vez como todos :
- Não se esqueças de mim , Sr. Smeet ! - Ela sorri elegantemente para ele, ele frange a testa , coloca a mão em sua própria cabeça puxando seus cabelos , se repreendendo pela proeza tosca que ia cometer , mas logo se anima pela presença da senhorita Manuela, que pelo nome sabemos sua origem, PORTUGUESA não só dos pés a cabeça, mas do coração, do jeito nacionalista que é, ela estende a mão para que Francisco possa cumprimenta-la gentilmente :
- Não esqueças de mim mesmo , Sr. Smeet, eu preciso ficar bonita! ele como esperado delicadamente beija a mão esticada da senhorita Manuela :
- Não esquecerei madame , e outra senhorita Manuela , já és linda por natureza, não esqueça deste fato. Ela cora e é impossível esconder aqueles olhos cheios de ternura , doce voz sai de tua boca:
- O cavalheiro ainda não sabes que já tens certa intimidade para chamar-me só de Manu?
- Como quiser senhorita Manue eee querida Manu! ela abre um sorriso enorme mostrando quase todos os dentes .
- Pois então, vim cobrar-te um trabalho ,podes deixar-me bonita?
- Queres ficar bonita igual à Paris?
- Prefiro Serra De Alcoba , por favor!
- Cuidado, pode ser uma beleza extinta .
- Oras! Por quê? Como assim? indignada pergunta.
- André Masséna poderia muito bem derrubar tal lugar...
- Não digas tal bobeira , não sabes o que acabastes de dizeres! fugia o encanto que havia no olhar da senhorita Manuela, Francisco sabia como quebrar o gelo, assim ele volta à sua posição anterior de profissional. Indica com a mão onde ela deve se assentar, ela com um olhar indagador se assenta e espera por desculpas.
- Como preferes teu cabelo?
Ela dá de ombros e repugnada por dentro , deixa para lá, sabe que não terá a desculpa, nem a esfarrapada .
- Quero cachos.
- Cachos ? ele passa levemente suas mãos sobre o cabelo da senhorita Manuela e o massageia confortavelmente .
- Isto ! Corte bastante meu cabelo , para fazeres depois cachos !
Novamente passa a ficar revoltado com o desejo do corte da clientela .
- Já pensou em deixar crescer?
- Já, mas pareces Picardia da França, nunca crescestes ! ela ri amargamente da ironia que acabou de fazer e celebra:
- TOUCHÉE Frascisquinho!! Francisco também ri pra não chorar pois Picardia foi aonde nasceu .
- Sem mais. Posso fazer teus cachos ? Manuela ainda ria, mas a expressão pouca tenebrosa de Francisco a-a fez parar rapidamente.
Sem querer ouvir mais a voz da moça, liga teu rádio e sintoniza numa estação que transmite sem pena a nona sinfonia de Beethoven , os tenores tremiam o lugar , Francisco começou a trabalhar e também a cantarolar , e a sinfonia tornou-se o som ambiente do lugar no momento , mas que infelizmente para Francisco , Manuela o interrompe com uma voz seca e amarga:
- Vai-me dizeres que agora gostastes dos cruéis alemães?
-Não pode?
- Não sabes das ameaças que a Alemanha sonha fazer?
- Não... ele com leveza desliza a tesoura sobre parte de seus cabelos...
- Tomes cuidados, tente avisar teus compadres que ainda vivem na França.
- Sobre o que madame ? continua sem ligar para o que ela dizia, estava atento no trabalho e na linda sinfonia, cantarolava baixinho.
- Sobre Beethoven que não és ,sobre as ameaças claro. Ouvi falar dos planejamentos da Alemanha é melhor pedistes para teus conhecidos se retirarem de lá . Francisco frange a testa , a sinfonia o leva ao um estado em transe , começa a cortar rapidamente os cabelos da moça , o barulho da tesoura estava ficando cada vez mais escutável .Manuela não parava de falar. Francisco soava e também não aguentava aquela voz doce e ao mesmo tempo irritante . Olhou profundamente para a tesoura que piscou para ele e olhou fixadamente para o cabelo liso da madame, que subitamente puxa com força o rabo de cavalo dela, ela leva a tesoura no alto, fecha os olhos , escultando aqueles tenores encantadores , desce bruscamente a tesoura ,Manuela percebe que Francisco não esta lhe dando atenção vira-se de frente para ele, exatamente na hora que a tesoura descia e um corte é feito sobre sua bochecha. Um grito de espanto cala a noite , não há muito sangue, foi de raspão. Manuela assustada tenta entender o ocorrido , na verdade barbarizada tenta entender:
- TU ESTAIS MALUCO ? PIROU FOI ? QUASE TIROU-ME A BOCHECHA!
Francisco se desligou do transe que havia entrado , pois a sinfonia acabou . Frangiu a testa e apenas disse:
- Ops! Foi um deslize total ! Olhe para esta minha mão, estou ficando velho , esta mão não estas respondendo direito. Me desculpe , senhorita Manue... querida Manu! Mostra sua mão, culpando-a por ser velho . Ela como-o admira, qualquer desculpas dele serviria .
- Desculpo-o sim , lindo Francisquinho ! Mas tomais mais cuidado então, Paris podes precisar desta tua mão.
E o acaso foi resolvido sem mais nem menos . Ele mesmo fez o curativo e ainda terminou de fazer o cachos .
- Estais ái , teu corte "sa belle" !
- Estes cachos ficaram lindos demais , só não falo que é Serra De Alcoba por que ainda faltastes o meu planalto. após dizer a indireta, dá uma piscadela . Francisco se desculpa novamente. Ela sorri , dá um beijo na bochecha dele e coloca o dinheiro dentro de um de seus bolsos e diz :
- Até mais! Ela dás as costas ,sai do local toda pomposa e ele à segue até a porta...
- Até ... ele repara a escuridão da noite e completa - ' Bonne nuit madame'!
Deitado em sua cama, começa a pensar sobre o dia que acabou de passar e aquele velho tolo, não lhe saia da mente, não entendia do por que o constrangimento que ele gerou , Francisco pensava consigo : " Talvez seja um espanhol embriagado ou até mesmo um bruto russo" pensar isto lhe fazia soluçar de raiva , " MALDITOS RUSSOS " . Após a mal lembrança do velho senhor tolo, foi a vez de pensar em Manuela, uma portuguesa linda e que por acaso se apaixonou por Francisco , lembrou-se do corte que lhe fez e começou a murmurar de raiva:
Estava acordado ainda de madrugada, uma madrugada vazia,sem lua, sem estrelas,apenas lembranças e tais palavras " ...cabelos tão grandes assim" foram se repetindo até o sono aparecer.
De manhã, Francisco é acordado por barulhos que faziam no cabeleireiro , sempre se esquece da hora que marca o atendimento do primeiro cliente, levanta rapidamente , veste outra roupa e vai atender a porta do salão . É Ransino Ramirez , um dos soldados de policiamento local , nasceu em Londres , virou soldado para tentar proteger sua família a qual daria sua vida para salva-la e também para fazer o bem para a pessoas, mas este bem não pode ser incluso de mencionamos a corrupção em que se envolveria junto com alguns dos outros soldados , aceitar dinheiro sujo não é um caminho para o bem. Ainda não lembrado da hora marcada , abre a porta e brinca:
- Sr. Ramirez, viestes proteger meu salão?
Ramirez aceitou a brincadeira e o respondeu com um sorriso continuo de palavras:
- Mas é claro, a segurança ter que estar sempre por perto né senhor Francisco?
- Agradeço a importância, qualquer dia compareça novamente para aparar teu cabelo ou fazer tua barba
Ramirez olha contraído , sem entender :
- O senhor me disse isto anteontem quando me viu no centro fazendo vigilância , por isto estou aqui!
Francisco frange a testa e dá um tapa rápido em sua cabeça, só agora foi lembrar disto:
- Que velho estou ficando! Desculpa-me senhor Ramirez , podes entrar, repare é tudo humilde.
- Elegante e conservado estabelecimento o senhor tem! Estes quadros de "Charles Le Brun " decorou bem o lugar. Agora que esta famoso por ser um ótimo barbeiro/cabeleireiro deve estar ganhando um bom dinheiro ... Francisco olha para ele contrariando com os olhos.
- Quem vê até pensa que me abrigo em um país que tem o feudalismo como o sistema econômico .
Os dois riram sutilmente .
- Podemos começar o seu corte Sr. Ramirez ?
- Sim,mas primeiro pode me responder uma coisa?
- Claro... Francisco coça seu cabelo e frangindo a testa esperando a pergunta ser feita.
- Por que há manchas de sangue nesta tesoura caída no chão? Francisco olha para o objeto com marcas de sangue , pega-o pela mão , examina-o , após isto respira fundo e diz :
- Sabes , além de ter esta segurança para as pessoas neste lugar, devem investir em limpeza , ontem mesmo tive que matar um rato com esta tesoura. A mentira ecoa no seu subconsciente . " Matei um rato, huum " e ria alargadamente no pensamento .
- Ratos! Estão realmente por todas as partes deste bairro, vou pedir para algum grupo de limpeza inspecionar o motivo deles por estarem atoa por aí! A mentira até que caiu bem, os ratos realmente me atormentam as vezes , não só como eu mas o resto do povo que mora aqui.
- Certo. Pode me dizer agora, o que vai ser? Corte? Barba?
-Faça apenas minha barba por favor...
- ' bien . ' Francisco abre uma das gavetas de um pequeno armário e tira de lá uma navalha francesa , não tão afiada, por isso tenta afiar mais passando a lamina em tipo de aço . Retira também dentro da gaveta, um liquido que faz espumas é o que diminui a chance de machucar e cortar o que não é pra se cortar . Passando o liquido com o silencio ainda presente , Sr. Ramirez puxa algum assunto polemico :
- Ficou sabendo do incêndio ? Francisco frange a testa tentando observar Sr. Ramirez pelo espelho.
- Não, que incêndio? Volta a passar o resto do liquido
- O que aconteceu na semana passada no manicômio , aqui mesmo em Londres. A fala de Sr. Ramirez parece querer colocar um certo medo , por isso fala a ultima frase pausadamente.
- Dá um certo... é ... medo! Novamente Francisco observa a face de Ramirez pelo espelho, não lhe despertou medo, ainda.
- Quem foram os vândalos ? Talvez sejam os malditos russos !
- O pior é isso, ainda não sabemos, estamos investigando o caso. Revira a boca pro lado expressando
uma insensatez e continua:
- E não sei se sabe, o manicômio hospedava refugiados da Africa do Sul , do Iraque , do Canadá e da... e da França , espeficamente falando do lugar de origem dos refugiados Pilardia... " Pilardia?" Pensa cautelosamente " Como isto? como pode ainda haver,quer dizer como havia mais sobreviventes ? " ,além deste pensamento uma cena passou em sua mente ,' estava correndo sem direção alguma, só corria, e corria e enquanto corria olhava para os lados , onde havia muitos corpos ao chão , todos mortos, outros quase mortos implorando para acaberem com o sofrimento, chegando em algum lugar , encontra ainda escravos negros , e por curiosidade também brancos , todos são forçadamente amarrados e presos dentro de gaiolas e assim colocados em um barco, o rumo? sabes lá .' acordou dos pensamentos e tornou-se a fazer a barba de Ramirez. Ramirez sabia qual a origem de Francisco , mas não conhecia toda a sua história, só a parte da origem igual todos os outros que o conheciam , ninguém teve acesso a coisas mais intimas , ainda por que ele não era casado e o estranho mesmo era que ninguém nunca viu sua família , sua vida é misteriosa .
- Tem saudades da França? Quebra preciosamente o silencio .
- Tenho saudades sim, menos de Luís Bonaparte...
- O golpeador de estados que virou imperador ?
- O próprio! Fala com um tom odiador .
- Se não fosse pelo sobrenome ...
- O incrível é que um homem só conseguiu derrubar 3 cidades da própria pátria , simplesmente anulou, tirou de foco , as 3.
O diálogo esquenta, e o trabalho também, Francisco já esta retirando grandes pelos da barba do soldado . - E assim o novo regime esmagou a Comuna de Paris e insurreição operária ficou animada por ideais socialistas. Inspira ar e solta contra o vento ... - Todos os países, tem seus altos e baixos...
- 'oui ' , mas meu país, pode ser visto como " alto " mas se for procurar saber em que o estado/ império ajudou o povo, vai ficar de queixo caído! Diz " caído " terminando a barba , esta totalmente feita, Ramirez percebe que acabou, se olha ao espelho sorridente e faz uma pergunta intimidadora :
- O senhor nunca errou não?
- Nunca errei o que? Estranha Francisco...
- Esta navalha, nunca enfio-a sem querer em um pescoço , ou afundou-a no rosto de alguém? Aquela pergunta faz o corpo dele esfriar, as mãos estremecem , ele aperta-as tentando esconder isto...
- Por que a pergunta Senhor Ramirez?
- Bom,o senhor é bom no que faz, uma curiosidade... e então...? Um sorriso falso aparece no rosto de Francisco, um olhar malvado e repugnante lhe faz companhia , o olhar se desvia para a navalha que em cima do pequeno armário a sua frente, ela esta brilhando intensamente,nela por loucura há o reflexo da parte do pescoço de Ramirez,esquiva o olhar , e direciona seus olhos novamente para o soldado, frange a testa e prossegue para a resposta:
- Mas é claro que não, Sr Ramirez! Sei muito bem o que faço .
- Que bom que sabe, foi bom lhe ver, se precisar é só me chamar no posto de soldados ali no centro,vou indo. Até mais.
-Até... ao fechar a porta, a pergunta estimula seu cérebro a pensar diversas coisas, mas a primeira reação do seu corpo , foi abrir um sorriso de ponta a ponta " nunca enfiei a navalha no pescoço de alguém " .Francisco percebe que Sr.Ramirez não lhe deu pelo menos um agrado mas também lembrou da segurança de ele poderia lhe trazer ' Que segurança o que , outro dia dois vândalos roubaram-me fui falar a ele no centro , e aqui esta este imbecil , fazendo a barba de graça ' seu inconsciente o lembra.
O dia não foi tão longo,passou tão rápido que olhou ao seu relógio cuco marcando 00:01, foi fechar o salão, mas uma moça o impediu e desta vez não era Manuela, ele desconhecia a senhorita à porta .
- Posso ajuda-la?
- Preciso de um corte rápido... Ele subitamente enxerga apenas os cabelos longos e encaracolados
- Cabelos longos bonitos... seu sorriso extravagante é impossível não perceber.
- Obrigada, estou deixando-o crescer, apenas quero tirar o volume. Ele triunfa pelo pensamento ' uma cliente querendo deixar o cabelo crescer, estava na hora já . '
- Estava à fechar, mas vou abrir uma exceção, por causa da beleza do seus cabelos.
- Oh! Obrigada mesmo, o senhor é muito gentil . E desculpa por não me apresentar , minha graça é Anastacia Cortez , e o senhor deve ser o famoso Francisco né? ele admira o nome e cora por ela saber teu nome.
- Que lindo nome! Sim sou Francisco Smeet , ao seu dispor Srt. Cortez . Sente-se e fique a vontade neste assento .
- Ficarei a vontade. Seu inconsciente implora para ele tocar nos cabelos longos dela e uma voz sussurra baixinho ' ela é espanhola ou holandesa ' e ele obedece , passa a massagear os fios compridos . Está com um sorriso no rosto e também no pensamento, pois pensa " ela vai deixar o cabelo crescer, isto é bom, muito bom , o cabelo dela até que esta grande, posso prova-los tocando-os suavemente " . Ele com a tesoura na mão, olhando e ainda admirando o cabelo da mulher diz:
- Vamos ao trabalho! liga o seu rádio , deixa tocar EDWARD GERMAN e começa tirar o volume, como foi pedido.
Francisco realmente ama o que faz, esse dom de cortar perfeitamente cabelos e fazer barbas , vem desdo seus antepassados , seu bisavô fazia a barba dos soldados da França em 1756 , já seu avô foi coronel do exercito da França 1794 , por esse fato, Francisco teve problemas quando veio para Inglaterra, mesmo sendo do exercito , seu avô costumava cortar os cabelos de alguns soldados que tinha mais contato , seu pai também foi um grande cabeleireiro e tinha também seu próprio salão.
Finalizando a tiração do excesso de cabelo, Francisco pede para ela inclinar a cabeça para baixo , para poder dar um " toque final " , com ela fazendo isto, ele pôde reparar a belezura das pontas louras do cabelo dela, admira-os disfarçadamente , quer saber se é realmente viável deixar o cabelo crescer bem mais, segura de leve algumas pontas,puxa devagar e diz secamente:
- Hmm, seu cabelo pode crescer bem mais... e ficar bem MAIS bonito... ela sorri de alegria pela informação.
Com a música de EDWARD GERMAN soando lindamente em seus ouvidos , começa aprimorar o " toque final " , em sua mão direita está agora uma lamina , pensa em desfiar algumas pontas para crescer perfeitamente . Com ela ainda inclinada ,Francisco volta a passar as mãos na parte de trás do cabelo dela , fazendo com que abra uma alegria discretamente por dentro da mulher , Francisco com os olhos suspeitos aperta o rabo-de-cavalo com força e levanta-o à cima , os olhos dele agora estão fechados, sua mão direita que segura lamina começa a tremer aos poucos, após levantar a mão direita ao ar, vai descendo loucamente em direção cega , pois seus olhos continuam fechados , semi-abre um olho e tenta enxergar aonde a lamina vai descer. Uma visão profunda, parecendo uma ilusão , faz com que ele mude a direção da lamina, assim acerta o estofamento velho do assento . Francisco arreganha os olhos de espanto ao olhar no pescoço dela um desenho de um brasão que representa as armas do Segundo Império Francês por Napoleão III . O puxão de cabelo havia sido dolorido e a senhorita Cortez estranhou a ação e então balbucia:
- S-sr. Francisco? Milhares de fatos e curiosidades estão passando no momento pela cabeça de Francisco e apenas uma curiosidade tenta tirar:
- A senhorita é francesa? Ela abre um belo sorriso:
- Sim, eu sou francesa com muito orgulho. Por que? O senhor tem algo contra? diz jogando um ar de mistério .
- Muito pelo contrário , admiro a França, aliás nasci lá, só não entendo o brasão em seu pescoço...
-Ora!? Nunca ouvistes falar da Guerra do cem anos? De Joana D'arc ? agora seu sorriso some e seu olhar aprofunda no rosto de Francisco.
- Mas é claro! Mas as épocas não batem ... o sorriso da mulher volta e deixa a entender que estava sendo sarcástica .
- Vou explicar-te ... Não é atoa que meu sobrenome é Cortez. Meu pai Acace Cortes, foi general de um exercito de Napoleão III que se localizava em Lorena , morávamos numa região não muito habitada e também não muito protegida, o lugar era atacado a cada 5 meses e as tropas não estavam totalmente preparadas para os ataques . Um suposto dia, minha casa foi invadida por terroristas ingleses , perversos traidores ,começaram a atirar objetos que queimavam quando entravam em contato com a madeira, a primeira coisa que meu pai fez foi nos levar para o nosso pequeno barco de pesca que ficava no rio do lado de nossa casa , minha mãe e mais dois irmãos meus remavam o barco e eu fui observando o fogo que imediatamente transformou tudo em enormes chamas destruindo tudo que havia , inclusive meu pai. Meu pai lutou pela pátria e também pela família que amava.O rio que estávamos se deságua no Mar do Norte, a partir de um momento não precisávamos mais remar, pois o mar nos conduzia ou na verdade nos deixava à deriva mas nos fez desembarcar na Grã-Bretanha , foi logo no tempo em que o país estava em confronto com a Argentina . O local do desembarque, por nenhuma sorte, foi no território pós-invadido e conquistado ao lado argentino , fomos amordaçados , sem ter direitos nos tornamos escravos,assim passamos a limpar fuzis e carregar bombas para os ataques. Algum dia de festa, celebrando algum outro território tomado,todos os soldados estavam embriagados inclusive o Capitão deles, ele era conhecido por diversos confrontos ganhos. O Capitão se chamava Hector Nacho , sua embriaguez era notável . Como eu era a única mulher em volta deles, tornaram a me olhar famintos, o Capitão principalmente, eu estava limpando os fuzis , ele veio me agarrar e tentar tirar a pureza do meu corpo, me arrastou para dentro de uma cabana de madeira , foi passando aquelas mão nojentas em mim, jogou-me com força num lençol velho e começou a desmontar seu uniforme de Capitão. Eu como grande admiradora de Joana D'arc, com grande extinto de guerrilheira e também com grande ódio por tudo que estava acontecendo, não quis deixar ele terminar de desmontar tal uniforme, chutei-o com tanta força que o fiz cair ao chão , logo percebi que havia um fuzil em cima de uma mesa , sem recuar , sem pena , apontei para a face de Nacho e fuzilei-o sem parar. O barulho do fuzil fez com que todos se espantassem e por extremo mistério o barulho do meu fuzil não foi o único estrondo que ecoou pelo ar, os britânicos armaram uma cilada a eles e intercalaram o dia, matando quase todos que estavam ali . Por sorte escapei do lugar e corri por incrível que pareça até Londres , chegando lá.. aqui , consegui me estabelecer , uma família me deu abrigo e é onde vivo até hoje. Francisco ouvindo atentamente a conversa, mas por instantes corre o pensamento furiosamente para Napoleão III " O pai dela era capitão do pior imperador que existiu , o pior e o mais sem coração... bem feito pelo oco... " ia pensar tal asneira e logo completou o pensar " na verdade foi terrível o que ela passou, quanta pena ".
- Mas e sua mão e seu irmão? Também foram mortos pelos britânicos naquela cilada?
-Não posso culpar ninguém,talvez os argentinos matara-os depois que Nacho foi fuzilado. Francisco frange a testa e concorda no pensamento que aquilo fazia sentido.
- Teve muita coragem senhorita Cortez .
- Tive a coragem de Joana D'arc !
- Gosta mesmo dela, não?
- Sem dúvidas...
- Já tinha escultado sobre este tal capitão Nacho, realmente o que descreviam dele era: depravado e dominador de territórios de pessoas pobres. Tenho um enorme ódio por dominadores de territórios...
- Por qual motivo?
- Por todos...
- Parece teres uma história parecida com a minha, estou errada?
- Talvez sim... e talvez... não.
- Como assim? Francisco guarda os objetos usados no salão e tenta encerrar o assunto.
- Vamos deixar isto pra lá!
- Tudo bem...
- Retirei todo o volume que havia em teu cabelo, deixe-o crescer que ficará belíssimo . Francisco repara só agora na vestimenta da senhorita Cortez e confirma no pensamento " Realmente uma francesa "
- Vou deixa-lo crescer sim...
- Pois isto é só, volte quando quiser, cher française !
-Merci! Ela agradece e vai embora.
Francisco em extrema inércia , se banha e deita para tentar dormir. Antes de adormecer, pensa na francesa vingadora ou melhor lutadora por direitos , a história que Cortez contou lhe fez meditar " Talvez Napoleão Três que armou aquela barbaridade contada ". Ele tem segredos guardados no coração , sentimentos por alguém, ele não demonstra nem pouco , mas todo dia antes de dormir , algo o atormentava-o , como sempre era senhorita Manuela e rapidamente seus pensamentos o levam até ela, a bela portuguesa . Aqueles olhos azuis azucrinando-o mentalmente, piscando lentamente para ele e a boca falando suavemente doces palavras,quis tocar aquelas mão delicadas,, " Ah! aqueles lábios de veludo ", admirado com o pensamento , deseja encostar os seus próprios lábios nos dela . Suplicou para que o sono chega-se logo, na manhã seguinte quer vê-la , não aguentou mais o deliro , a pertubação, apesar do curioso fato dele não manifestar ainda seus sentimentos por Manuela e ainda mais menospreza-la quando estão perto um do outro , ele rejeitou passar mais noites em claro pensando em Manuela. Não demorou muito a súplica foi atendida .
Manhã ensolarada . Portas tocadas . Assobios .
-FRANCISCO?! O que fazes aqui nobre homem?! Lisonjeada , Manuela leva o olhar profundo até os olhos de mel de Francisco.
-Vim vê-la ! Agora encantada , mal consegue respirar,olhos brilhandos e ainda mais revolveu-lhe as estranhas .
- Vi... vieste me ver? Ela balbucia não acreditando .
- Sim , algum incômodo ?
- De maneira alguma! Entre e sejas bem-vido . Indicou-o com a mão esquerda a entrada pois a direita tremia discretamente atrás das costas.
- Merci !
- O senhor também é nacionalista não?
-Não ao extremo ... posso me sentar ? Diz olhando em voltas,vendo muitos assentos e esperando ela pedir para tomar um deles. Manuela toda entretida e feliz com a presença dele , fez com o que se esquecesse dos assentos , mas logo fez-lhe a vontade:
- Claro , que podes se assentares ! Ficais a vontade ... Ele senta, ela continua de pé. - Vou pegar uma xícara de chá para o senhor , tudo bem?
- Chá? Uma careta é feita.
-Não gostais ?
- Prefiro café ...
- Vou preparar para tu ...
- Eu espero Manuela vai rumo sua cozinha preparar o café e no seu subconsciente pula de alegria . Francisco observa cada detalhe da casa , tudo faz referencia e preferencia à Portugal . Há um móvel que em cima dele se encontram diversos enfeites . Francisco levanta e vai até onde está o móvel, vai admirando com os olhos, objetos raros e é claro todos de origem portuguesa. Ele arreganha os olhos ao ver um colar de perolas (também de origem portuguesa) , subitamente seu pensamento volta no tempo e relembra o dia em que conheceu Manuela:
' - Vida ao rei , glória a rainha ! diziam milhares de pessoas londrinas após um belo discurso do rei no centro. Francisco estava também assistindo o discurso,junto com um conhecido chamado Adam Gomes,37 anos, só não era francês por que nasceu em Londres, mas amava e ama de paixão a França .
- Este rei, ainda cai, tu verás ! Francisco abre um diálogo .
- Já esta caído . Tu ouviu o que este bastado disse? Melhorar o exercito londrino para a segurança do povo... ele só pode estar sendo irônico ...
- Pois é. Agora as crianças param de estudar para desejarem serem soldados ou até mesmo príncipes .
- Será que ninguém se atreve a derruba-lo? Destruí-lo ?
- Olhe para este povo, olhe bem, acha mesmo que alguém o odeia ? Ele faz a cabeça destes tristes pobres.
- Realmente terrível tal situação do povo que o adora como se fosse um deus grego. Ele finge que dá alimentos, mas no fim o povo acaba pagando , com trabalhos totalmente pesados, trabalho desonesto e escravo.
- E quem se lasca também são os estrangeiros , pagando impostos absurdos com valores inexistentes em nenhum país . Apenas por ser francês e ter um comércio aqui.
- Pelo menos explicou ao governo , como chegou até aqui?
- Acha mesmo que eles se importam com um exilado ? Adam balança sua cabeça para os lados , emburrando-se .
Sem controle um ser passando desastrosamente por eles fazendo-os cair ao chão e gritos femininos são escultados:
- Socorram-me ! Aquele medíocre roubou meu colar de perolas ! Os dois se levantaram e enxergaram a bela moça correndo toda pomposa atrás do ladrão e pedindo ajuda. Os olhos de Francisco brilham por admiração , os cabelos longos da moça saltavam pelo ar. Adam faz com que Francisco acorde da deliração e admiração no subconsciente:
- Tu viu? Aquele ladrão correu para direção do seu salão, podemos pega-lo .
Os dois passaram a correr rapidamente atrás do ladrão, com um olhar distante, eles conseguem ver o rapaz parado numa esquina negociando o colar de perolas com outra pessoa , o ódio cada mais o consumiam , apertavam também cada vez mais os passos largos ao correr, mas foi tarde a negociação foi feita e Francisco não deixou passar:
-Venha aqui seu infeliz ! Puxo-o o ladrão pelo braço , ele tentou correr, mas Adam o segurou também.
- Os senhores não tem medo de morrer? Perguntava o ladrão.
- Por que deveríamos ter medo de um rapaz que assalta moças indefesas? Diz Adam amargamente .
-Posso muito bem me livrar dos senhores ... O ladrão empurra Adam, assim caindo , o ladrão pula em cima dele puxa de um de seus bolsos uma adaga enferrujada e enfia não tão profundo na barriga de Adam fazendo-o gritar de dor. Francisco fervendo de ódio voltou a segurar o ladrão pelos braços , sem dar chances de se soltar desta vez, chacoalhava-o sem parar. O ladrão usava uma boina que cobria seu cabelo , mas com chacoalho , fez com que caísse o que cobria os cabelos . Pontas loiras estavam expostas ao sol e um olhar profundo de ódio de Francisco também.
-Tu és russo ? Perguntou sem hesitar, já sabendo a resposta.
- S..sim , sou... deixe-me ir seu londrino bastardo ! Um sorriso de ponta a ponta foi aberto.
- Senhor ladrão de perolas , o senhor será exilado apenas com um "toque final " !
- Co...como??!! Francisco retirou do seu cinto que usava e usa para guardar alguns objetos de cabeleireiro , uma lamina ponta aguda , afiadíssima levou-a ao ar, fechou os olhos , puxou alguns dos cabelo do russo e desceu o objeto cortante brutalmente no pescoço dele , perfurando profundamente a pele deixando-o sem fala e morrendo rapidamente . Francisco após cometer tal parecido ato heroico continua a " jornada heroica " ajuda seu companheiro a se levantar e pede a ele ficar segurando firme um pano no ferimento . Voltaram ao centro e ainda estava lá a moça.
-Pegaram ele? Adam abre um sorriso e diz ironicamente :
- Acho que dá pra ver pelo meu corte na barriga... A moça acaba ficando chocada :
- Mas que medíocre , como pudera alguém fazer isto com as pessoas?
- Não se preocupe, tome de volta teu colar! Francisco entrega nas mãos da moça o colar de perolas roubado , Adam estranha :
- Como conseguiu de volta? Ele não tinha...
- Tu estava ainda gemendo de dor, enquanto eu renegociava o colar com o negociador ...
- Grande Francisco. Admirou Adam.A moça não mais chocada com caso mas impressionada com o que aconteceu :
- Eu lhe agradeço mil vezes por tal ato heroico que fizestes , senhor... Francisco isso?
- Isto , Francisco Smeet , um dos melhores cabeleireiros da cidade ao seu dispor , madame...
- Convencido não? Diz Adam com graça.
-Bom, qualquer dia a senhorita pode ir ao meu salão e assim comprova se sou ou não um dos melhores! Francisco esta delirando de admiração por aqueles cabelos longos da moça. Informa aonde esta localizado o salão e pretende ir embora, mas com esperança que a moça vá ao teu salão.
- Tudo bem , eu irei qualquer dia! Ela se empolga e deixa a admiração leva-la , olhos brilhantes focados nos de Francisco fazendo a hesitar as suas palavras , queria mesmo era ficar só olhando para ele .
- Estamos indo senhorita... como é mesmo teu...
- Manu... '
- FRANCISCO?! Estais dormindo em pé ? Aqui esta seu café... Ele acorda dos pensamentos e também se esquece que estava com o colar da mão e pelo susto que levou derruba-o sem querer.
-Desculpa-me , eu estava apenas admirando tais enfeites . Segura a xícara de café.
-Tudo vem de Portugal, minha paixão por lá não tem fim .
- Só não entendo uma cousa ...
- O quê?
- Por que este colar virou enfeite? Ele diz pegando o colar do chão e Manuela cora e fica toda avermelhada :
- Para lembrar-me... Ele nem deixou falar o restante apenas completou:
- Para lembrar de mim ? Ela sorri toda abobada
- É...é , para me lembrares de ti... Ela esta com um olhar totalmente apaixonante , ele foge .
- Vou provar o café! Diz levantando a xícara até a boca, degustando com apenas um pequeno gole percebe algo que não lhe agrada:
- Esta sem AÇÚCAR ! Faz uma careta e enquanto Manuela continua o observando amorosamente :
- T-udo bem, vou adoça-lo , espere um pouco ! Ela vai rapidamente para a cozinha adocicar o café , com certa raiva no pensamento , por não ter feito direito . Francisco volta seu olhar curioso aos objetos que servem agora de enfeites mas em seu pensamento esta naquele café amargo e não apenas sem açúcar , não gostou nenhum pouco. O desejo de ter Manuela passou, simplesmente . Ele estranha. Começa se perguntar " e aquele todo desejo de noite ? " , talvez fosse apenas raiva pelo café que fez passar o desejo, não querendo ter certas ilusões platônicas à noite , vai até a cozinha a encontro de Manuela, ela esta procurando o açúcar em um armário e nem percebe a presença dele . Francisco envolve-a com os braços , fazendo com que ela se assuste mas ao ver o agarramento dos braços torna o amoroso olhar , ele não aprofundou o olhar, apenas quis saborear lentamente os lábios dela , passando devagar os próprios lábios nos dela , tendo feito Manuela se arrepiar e acender cada vez mais a chama da paixão , o beijo vai crescendo e vigorosamente os lábios vão se encostando .
- F-f-Francisco? Balbucia ela bem baixinho .
- Eu.
- Tu me beijastes... Ela parecia não acreditar, no que acabou de ocorrer.
- Sim , eu a beijei.
- Por quê homem da França? Ele aperta os olhos, tentando fugir do por quê, por que se lembra da noite passada.
- Acho... acho que foi por que senti vontade
- Isto é bom!
- Teu beijo é bom, é doce, não igual ao café, mas é adocicado e suave. Ela esta em um estado de impossível descrição de admiração , esta apaixonada demais. Já Francisco ainda estranha do por que não esta do mesmo jeito que estava à noite passada. - Bom, agora preciso ir, tenho clientes a minha espera!
Inteiramente enrubescida , Manuela força os olhos pedindo para que ele não vá,mas ele recua a doçura dá-lhe um pequeno beijo e vai embora , rumo ao salão. Manuela com os sentimentos ardendo a pele , chora e clama por Francisco, sem entender nada do que ocorreu.
No caminho, Francisco tenta esquecer a cena do beijo, mas aprofunda na lembrança do dia em que conheceu Manuela, principalmente na parte em que corre atrás do ladrão Russo. Chegando ao salão , estão clientes emburrados pela falta de responsabilidade dele de não atende-los na hora exata . Mas Francisco conseguiu acalma-los dando algum desconto pelas hora esperadas . Passou o dia desejando não desejar Manuela à noite e também esperando com que ela não se entristeça por ele não poder corresponder certo sentimento . " Talvez eu deva encontra-la sempre a noite , naquelas certas horas " pensa ele . Sem delongas o dia foi ficando curto, igual aos cabelos que Francisco cortava, que o deixava nada alegre . Tudo que ele queria no momento foi concedido como mágica , uma mulher impecavelmente loura de cabelos longos,pele branca , era sua última cliente, com olhar admirado pediu à mulher para se assentar .
- Como é seu nome senhorita?
- Me chamo Natacha Nicolai . Ele percebe um sotaque russo , mas continua.
- É um prazer atende-la , senhorita Nicolai... Não me digas que quer diminuir o comprimento do teu cabelo? Pergunta espantado , lembrando das outras pessoas que pediram isto recentemente .
-Não, jamais faria isto. Gosto do meu cabelo grande, apenas retire o volume por favor!
- Como quiser ma chère femme ! Ela sorri e também percebe seu sotaque estranheiro .
- Oh um cabeleireiro francês! Francisco abre um sorriso misterioso .
- Sim, madame ! Posso começar?
- Quando quiser...
Francisco liga seu rádio , a nona sinfonia de Beethoven e começou a tirar todo o volume do cabelo da mulher no ritmo da canção.
- Amadeus Mozart? Prefiro Sergei Rachmaninoff . O que acha desse maravilhoso músico ?
Francisco não parece se importar .
- Não conheço... A mulher se revolta e aumenta um pouco o tom da voz pela surpresa .
-CO...OOMO NÃO? Um dos melhores músicos do mundo, isso se ele já não é.
- Não para a mim, nem para o povo de Londres . Aqui quase todo mundo ouve Edward German.
- Pequeno bastado este músico, não soa notas coerentes aos meus ouvidos . E se vir falar de Vivaldi e Gustav Mahler , já saberei que tem um certo mal gosto musical .
Francisco revira os olhos , tentando adstringir-se de acordo a música, estava focando o olhar apenas no cabelo da mulher, não queria conversa , sua boca havia deixado de lado o sorriso misterioso mas o olhar o aprofundava no mistério que é a felicidade que lhe abre quando vê e toca em um cabelo comprido .
- ... e então sr.Smeet, não irá nem opinar sobre minha visão sobre tais músicos ?
- Se a senhorita saber tocar violino melhor que Vivaldi,eu apoio-a . Diz ironicamente .
- Se me der uma harpa garanto que tocarei grande canções .
-Harpa? Ele revira a cabeça não gostando do instrumento dito .
- Sim, um som de triunfo , de tranquilidade .
- Não me lembro de Beethoven ter harpas nas sinfonias ...
- Não se cansa de ser irônico ?
- Desculpe-me...
A conversa se encerrou com um silêncio das vozes, as únicas vozes que surgiram foram do coral da canção,que deu inspiração para Francisco fazendo cortar perfeitamente cada fio de cabelo com volume.
-Estamos a terminar... Diz Francisco passando a ponta de uma lamina em um ferro tentando afiar . - Inclina-te tua cabeça um pouco para baixo . Pediu ele, ela obedeceu.
- Vou apenas dar um toque final. Afiou o suficiente a lamina . Suspirou . Ouvidos fluidos . Coral exalando . Mão direita segurando a lamina que vai se levantando , seus olhos apavoradores no pescoço da senhorita Nicolai.
- Senhorita Nicolai...
- Diga-me! Ela atende o chamado ainda inclinada .
- ... me confirme uma coisa ...
- O que ?
- A senhorita é russa não é ?
- Sim, sou por quê?
O sorriso maldoso vai de ponta a ponta das orelhas .A canção vai à extrema tensão e o leva ao ponto mais alto da inspiração , desce loucamente a lamina no pescoço da senhorita Nicolai . Foi apunhalando a lamina cada vez mais rápido e por incrível que pareça no ritmo da música; a orquestra, o perfuro , composição alemã,o sangue jorrado, lamina super afiada, coral afinadíssimo ,a música para de tocar e a morte é súbita .
Hmmm segunda parte please!
ResponderExcluirOlá, senhor anônimo !
ExcluirLogo menos a segunda parte sera postada, fique no aguardado.
Seja lá quem for, me passe seu contato para ficar por dentro da estoria .