segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um encontro quase diferente

Você fala oi, eu digo olá
você pergunta se está tudo bem, eu pergunto como vai,
você fala que está tudo bem, eu digo que esta tudo indo,
você fofoca sobre a vida alheia, eu questiono o amanhã,
você fala fácil, eu profiro difícil,
você diz tudo, eu digo nada,
você descreve o seu dia , eu comento sobre o nosso,
você questiona a hora, eu lamento o dinheiro,
você fala, eu sorrio,
você me vê, eu sonho,
você anda por ai, eu ando por lá,
você caminha pelas ruas, eu flutuo sobre elas,
você dança, eu canto,
você tem soluções, eu tenho problemas,
você tem cortes, eu tenho cicatrizes,
você tem um caderno, eu tenho um lápis,
você tem uma boca, eu tenho um beijo,
você lê, eu escrevo,
você dorme, eu acordo,
você tem uma casa, eu tenho um chalé,
você sente frio, eu sinto calor,
você gosta de chá, eu gosto de café,
você se esquece, eu lembro,
você julga, eu erro,
você dá tchau, eu digo até mais,
você vai embora, eu fico,
você é você e eu? 

2 comentários:

  1. Criativa,genial. Adorei. Leve e profunda ao mesmo tempo, similaridades e contiguidades entre os dois seres. Não sei o porquê, mas me lembrei da letra de música Eduardo e Mônica, guardada as proporções, muito embora o eu-poético de "Um encontro quase diferente" seja em primeira pessoa, e o do Renato Russo, em terceira, há trechos que falam dos opostos que se atraem, distantes e próximos: "Mônica queria ver um filme do Godard/ ela de moto, ele de camelo/ mas ela usava tinta no cabelo/ Ela gostava de Rimbaud e Bauhaus e ele de novela e notícias do planalto central. Não sabia que era poeta, Rodrigo, continue assim, o universo editorial o espera. Parabéns

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    1. Amo essa música do Renato! Ele sabe como descrever as diferencias de um casal e concretiza que os opostos se atraem.
      Tive a mesma ideia na poesia acima; descrevo o encontro de um casal bem diferente um do outro, sendo que um deles tenta mesmo assim se encontrar na outra pessoa no meio da oposição.

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