sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Leia-me (Disso eu já sabia) Misteriosamente vivemos a vida PARTE 2 #17

Fui observando até chegar ao meu lugar , quantas pessoas estavam no avião, não eram muitos , pois muitos trabalham nessa época.
Cheguei ao meu lugar,sentei ao lado da janela,esperando o avião decolar,continuei lendo o livro que tinha começado a ler no atraso do avião. Uma garota esbelta me perguntou o número dos bancos mostrando o tal que ela teria que se sentar. Era o banco ao meu lado, ela pediu licença e se sentou, olhou para mim e sorriu envergonhada ,pois estávamos um do lado do outro e o terceiro banco ninguém ocupava-o, parecíamos namorados. Estava concentrado no livro até que a garota me interrompeu com uma pergunta:
- Sabe que horas o avião decolará ?
- Não sei não, ele já está atrasado por 1 hora e meia.
-  Pois é, já estou ficando nervosa.
- Bom, alguma hora terá que decolar.
- Espero que seja logo, estou atrasada...   
Não queria ser curioso, mas a garota parecia querer conversar então perguntei...
- Atrasada? Qual é o teu compromisso?
- É triste dizer... meu vô faleceu, estou indo para o velório dele.
- Nossa! É realmente triste. Sabe, eu nem conheci meus avós, nem os por parte de pai nem os de parte de mãe...
- Não? Fui criada por os meus avós por parte de pai. Meus pais viviam ocupados com o seus trabalhos. Mas por que você não os conheceu ?
- Os pais da minha mãe morreram antes mesmo de eu nascer, os do meu pai moravam longe. 
- Mas morreram também?
Olhei para baixo com desanimo e disse:
- Não sei se nem o meu pai está vivo!
- Como assim?
- É o que eu estou indo fazer; saber se meu pai esta vivo. Conhece-lo de verdade, saber suas histórias de vida. Poucas informações que tenho dele e umas delas me magoa; ele foi embora de minha casa quando eu tinha apenas 3 anos.
- Nossa mas que terrível. Eu também tive que sair de casa...
- Por qual motivo?
- É que... eu cresci né? Não poderia viver sempre nos cuidados dos meus avós, fui atrás dos meus sonhos, vim para São Paulo para poder estudar e trabalhar, já que para arrumar um emprego bom em Mato Grosso do Sul era difícil. Foi por isso tive que sair de casa. E agora estou voltando tristemente por perder um grande pai.
 -Temos que compreender alguns mistérios da vida, um deles é a morte, devemos aprender que depois da morte vamos para um lugar melhor e as pessoas que amamos e que já morreram estarão lá esperando pela gente.
Ela pareceu ficar confiante no que eu disse e sorriu. Parei para pensar por alguns minutos, meu pai tinha saído de São Paulo para ir trabalhar em Mato Grosso do Sul. Não fazia sentido, ela disse que era difícil arrumar emprego lá.
- Ei, meu pai saiu de casa para poder ir trabalhar em Mato Grosso do Sul.
- Como se lá é difícil arrumar um emprego?  
Ai que está! Não sei quem está mentindo... 
- Olha eu não sou, sou a prova viva que lá é ruim de arrumar emprego, vim para cá para arrumar um...

Me desapontei ao saber disso. Fiz uma critica pela demora da decolagem e foi só eu falar que o avião já estava dando partida . O avião partiu , e no caminho eu e a garota continuamos a conversar . Ela foi entrando em assuntos muito particulares , quis saber se eu namorava, contei-a sobre Fernanda,perguntei se eu estava errado em não ter ido atrás dela 
- O amor supera limites,quando se ama não tem barreira,nem distancia que impeça o amor. Pode ser que vocês possam se encontrar mais tarde...
Aquelas palavras me confortaram, e demorará sim para eu poder ir atrás de Fernanda,o único dinheiro que tinha gastei nessa viajem.
Afundei também na particularidade da conversa e quis saber se ela amava alguém 
- Uma pessoa que tinha todo o meu amor,já não está mais aqui na terra...
Emburramos nossas faces finalizando a conversa.
Fiquei olhando para o céu pela janela,questionei sozinho a grandiosa inteligencia e arrogância dos homens,fizeram os aviões com medo de que não pudessem voar como anjos a caminho do verdadeiro céu,desprezando a verdade de nossas vidas.
O sono me veio como uma bala perdida,e foi tão de repente que cochilei e também tão inesperadamente acordei , minha cabeça estava colada no ombro da garota ao meu lado, voltei à minha postura todo envergonhado pedindo desculpas , ela sorriu e disse que não ligava e que já ia me acordar pois já estava chegando. Querendo fazer esquecer a minha vergonhante ação mostrei o livro que estava lendo e perguntei-a se ela gostava de ler, ela disse que sim , principalmente livros românticos , e que gostava de imaginar como seria a história na vida real.
O avião pousou , peguei minhas coisas e desci junto à garota. Ela disse que ia para o lado oposto do meu,pois um carro já esperava por ela,fui despedir dela humildemente com um aperto de mão ainda pedindo desculpas pelo cochilo em seu ombro,ela não aceitou só o aperto de mão, me abraçou bem forte, como se focemos grandes amigos ou até irmãos , acho que ela precisava mesmo desse abraço, de um apoio de alguém , parecia que ela conseguiu esse apoio, e eu nem tinha percebido que à dei. Ela me desabraçou , chorando alisou meu cabelo e disse 
- Boa sorte na tua vida. Tenho fé que dará tudo certo pra ti. E olha, esperarei você também no lugar que iremos depois que morrermos.
Felizmente ou até tristemente disse , talvez ela quisesse me ver outras vezes , já que me viu como um grande amigo que á apoiou 
- Boa sorte pra você também...
Ela também me disse palavras que me confortaram então abraçai-a novamente descontando o primeiro abraço que foi de surpresa,e ainda disse:  
- Seremos todos felizes nesse outro lugar,sem choros , sem tristeza , sem mágoas,sem dor …
A cada palavra que dizia ela me apertava e chorava mais e mais,estava se entregando querendo saber mais da vida após a morte,apontei o dedo pro céu e disse: 
- Lá está a verdade,Ele espera pela gente,tenha fé nele,tenha fé...
Chorava a menina em meus braços. Deslizei meus dedos em seus olhos impedindo das lágrimas escorrerem e falei para ir logo pois ela já estava atrasada , me despediu e saiu andando para trás acenando um tchau com a mão.
Dei risada baixinho por não ter perguntado o nome dela e nem ela o meu , ainda depois de ter conversado muitas coisas com a garota. Então fiz ela parar com um berro que dei:
-Ei, como é teu nome?
Ela riu , pensou igual a mim e disse teu nome: - 
Gabriele e o teu ?
Silenciei por alguns segundo e disse:
- Leandro...
Abriu um sorriso e novamente me deu tchau.
Me perguntei por que menti meu nome,não foi a primeira vez que tinha feito aquilo,talvez por que eu não gosta-se do meu nome ou até por medo dele não ser lembrado.
Fui até o ponto de ônibus e perguntei à um senhor que estava sentado no banco se era ali o ponto que passava o ônibus que eu precisava pegar. Ele não me respondeu,eu não entendi o por que, então lhe perguntei novamente e me desprezando continuou,cutuquei-o, ele olhou pra mim e perguntei:
  • O senhor está esperando que ônibus ?
Ele reparou nos meus lábios e depois virou a cara pra mim. Fiquei bravo e agi como um animal:
  • O SENHOR TÁ VELHO DEMAIS PRA ME OUVIR NÉ?
Ele virou novamente pra mim, agora segurava um papelão escrito “ Sou surdo e mudo,preciso de dinheiro para ir até Dourados,ajude-me “
Me senti tão ignorante por ter dito aquilo. Parei uma pessoa que passava e perguntei se era muito longe pra ir a pé para Dourados,me respondeu que era mais de 3 horas a pé. Depois perguntei se demorava muito pra chegar à Campo Grande , era onde meu pai morava,disse que não tinha certeza se era meia hora ou 1 hora a pé. Agradeci e voltei para o ponto . Peguei o dinheiro da passagem e vi que um ônibus já vinha vindo , dei sinal e perguntei se ele ia para Dourados , o motorista fez sinal que sim, pedi para esperar, estendi a mão para o senhor , ele apertou a minha mão com força e eu puxei , ele levantou , peguei a mão dele e dei o dinheiro da passagem do ônibus , ele olhou em meus olhos querendo dizer obrigado sorriu e felizmente subiu no ônibus, olhando pra mim até partir.
Fui para Campo Grande andando, no caminho fui reparando em cada detalhe dos lugares em que passava.
Chegando ao meu destino,bati na porta da casa de meu pai,que eu achava que era dele,abriu um outro homem , perguntei sobre meu pai, ele não ó conhecia. O homem fechou a porta e eu com a maior confusão que passava em minha cabeça sentei na calçada cansado,olhei para todas as pessoas e me perguntei se ela tinha dúvidas em suas vidas,será que todas elas sabiam da vida após a morte? Sabem sobre a verdade ? Conhecem seus familiares? Amam e demonstram para as pessoas sabendo que é possível não existir o amanhã? Era o que eu estava fazendo, estava buscando a verdade, tentando conhecer meu pai,demostrar para ele todo o meu amor, que vim até aqui só pra conhecê-lo .
Levantei-me e ainda cansado,fui em busca de água. Entrei em um bar, sentei no balcão e pedi um gole d´água o balconista disse que ali não tinha água e todos que estavam ali riram de mim. Ele me ofereceu outras bebidas , recusei disse que só queria água pois estava cansado,todos riram novamente , veio um homem até a mim mandando para o balconista encher a caneca dele de pinga , e pediu outra caneca ,pra mim. Eu recusei e disse:
  • Eu não quero, estou com sede de água...
ele riu da minha cara e falou:
  • Para de ser criança , menino, beba logo está pinga que paguei pra você .
Cansado de dizer que eu queria água , virei em um só gole aquela caneca . Minha garganta pegou fogo e clamou mais ainda por água.
  • Isso mesmo menino, é assim que um verdadeiro HOMEM , mata a sede .
Sorri torto e me levantei, fui indo embora até que uma garota me parou e falou:
  • Fica mais um pouco, ainda nem se divertiu aqui.
  • Não vejo diversão aqui,desculpa.
  • É que ainda não conhece a “casa”
  • Pois é...
  • Venha cá, vamos conversar...
Pegou em minha mão e me levou até o balcão, novamente sentado ali,ela mandou o balconista desta vez me dar água,agradeci :
  • Muito obrigado,estava morrendo de sede...
Os outros ainda riam de mim
  • Não liga para esses tolos. Você não parece ser daqui...
Me olhou de cima e embaixo e continuou:
  • É bem bonito.
Observei sua face , era uma garota nova , aparentava ter uns 16 anos.
  • Obrigado. É, eu não sou daqui não.
Não queria conversar,não nesse lugar,não gostei desse bar,o pessoal dali comentavam sobre mim,parecia que não tinham gostado de mim.
Ela puxou mais assunto:
  • Qual é teu nome?
Parei novamente pra pensar,sobre as vezes que menti o meu nome e resolvi mentir outra vez:
  • Roberto...
  • Você é de onde?
  • Sou de São Paulo. Cheguei hoje , ainda tive que andar até chegar em Campo Grande,
  • Nossa,tadinho de você. Precisa de repouso.
  • Preciso mesmo.
  • Mas me conte mais sobre você...
Não entendia o por que essa garota estava querendo saber sobre mim,mas fui no embalo :
  • O que quer saber?
  • Tudo que quiser contar...
  • Você é psicóloga por acaso?
Ela riu:
  • Sou o que você quiser...
  • Bom saber.
  • Está bem,vou perguntar algo que me interessa de verdade. Você namora? É bem bonito...
Disse isto alisando a minha mão.
    • Não,eu não namoro.
    • Como não? Tão lindo e não namora? Essas mulheres são cegas só pode.
    • Ou ao contrário , só você é cega.
Ri pelo meu próprio comentário.
  • Que nada, posso te mostrar que você é bem lindo...
Me agarrou,forçando um beijo,eu tentei desviar,mas foi em vão. Sem reação,respeitei o desejo da carne , e beijei-a com emoção. Ela parou o beijo, pegou em minha mão e me levou para outro canto do bar. Entramos em um quarto e ela continuou à dialogar:
  • Conte-me mais, o que veio fazer aqui?
Não sabia se dizia a verdade ou se mentia. Falei resumidamente :
  • Vim conhecer meu pai.
  • Com a cara que entrou aqui de tristeza , acho que não encontrou ele.
  • Não mesmo.
  • Me diga como ele é,conheço todos dessa redondeza .
  • Eu não sei como ele é...
  • Como não? Ele não é teu pai?
Resolvi contar explicavelmente
  • Sim ele é . Mas não o vejo já faz 15 anos.
  • Ele te abandonou ?
  • Não exatamente.
  • O que então?
  • Ele veio pra cá , para trabalhar...
  • Trabalhar aqui?...
Riu do que eu disse e continuou:
  • Aqui é tudo desigual . Não é fácil de arrumar emprego aqui.
  • Está ai, uma coisa que não entendo. Como meu pai conseguiu um emprego aqui então?
  • Talvez ele comprou um terreno e construiu uma fábrica,ou uma loja ou até um bar.
O que ela disse fazia sentido. Meu pai ajudava meu tio que era corretor,ele deve ter conseguido algum terreno para meu pai . Mas por que ele deu endereço errado para a própria irmã dele? Por que se afastar da família ? Meus pensamentos foram interrompidos quando a garota tirou sua roupa e mostrou toda sua nudez para mim e disse:
  • Venha , chega de tristeza , repousa teu corpo no meu.
Assustado disse:
  • Não,você é nova , não farei nada contigo.
  • Nova? Pagando bem que mal tem?
  • Como assim pagando?
  • Você terá que pagar,como todo mundo aqui faz.
Bati a mão na minha testa e pensei como fui tolo, como demorei pra adivinhar que ela era uma garota de programa. Que onde entrei era um bordel.
  • Eu não vou fazer nada e outra eu não tenho nem dinheiro se quisesse fazer.
  • Então por que entrou aqui? Você só sairá daqui se me pagar.
  • Pagar o que ? Não fiz nada contigo...
  • E aquele beijo? E a nossa conversa , você acha que eu não tenho outras coisas pra fazer , outros clientes para atender? Vai ter que me dar o dinheiro, ainda mais por que meu pai que é meu chefe me viu com você , ele vai me perguntar do dinheiro.
  • Você não pode arrumar alguma desculpa? Dizer que sou teu namorado?
  • Você está louco? Se eu falar que tenho um namorado ele me mata.
Comecei a passar mal, não sabia o que fazer. Abri meu coração e chorei,chorei não só lágrimas como também chorei palavras e me desabafei sozinho:
  • Por que eu vim aqui em vão? Por que fui tão tolo de não ir até Fernanda? Não sei nem quem é meu pai,sou um imbecil,um idiota.
Revoltando-me cada vez mais,a garota que só estava me observando resolveu falar:
  • Olha , eu achava que você estava mentindo,querendo me dar calote,pois já aconteceu isso antes. Mas olha chorar como você está chorando,nunca aconteceu,um homem não desparramaria se quer uma lágrima após mentir. Agora tenho certeza do que falou é verdade. Venha vou conversar com o meu pai. Fui seguindo-a , mandou esperar e entrou em uma sala. Voltou com o seu pai , ele me fitou e disse:
  • Namorado da minha filha ? Me diga por que achou que era o gostosão e que podia beijar minha filha no trabalho dela?
  • Me desculpe, eu mal sabia que ela fazia essas coisas...
  • Coisas? Que coisas? Isso aqui é trabalho , coisa é você,seu lixo. E você sua idiota vai pagar por ter um namorado,devia enfiar essa vassoura nesse seu lugarzinho ai , sua porqueira .
  • Pai,desculpa, prometo , eu termino com ele
  • Não precisa deixa que eu mesmo termino , com vocês dois.
Foi empurrando a gente para a sala dele,comecei a gritar de desespero . Conseguiu colocar a gente dentro da sala e disse:
  • Vou voltar daqui a pouco,faça pela ultima vez o que você quiser com esse seu namoradinho de merda, por que é a ultima vez que verá ele.
Saiu batendo a porta, e deu pra ouvir o barulho de chave passando na fechadura. Olhei para ela e falei desesperadamente:
  • E agora?
  • Olha , eu não sei.
  • O que ele fará com a gente?
  • Você ouviu muito bem o que ele irá fazer com a gente. Ele foi até buscar o cajado .
  • Que cajado?
  • Não é primeira vez que acontece isso,não comigo,quando alguma garota trás um rapaz que não paga pra cá,ele faz o ritual com o cajado. Você já deve ter imaginado o ritual...
  • Me desculpe,desculpe mesmo. Não deveria nem ter vindo para Mato Grosso do Sul.
  • Eu que lhe peço desculpas,te atentei .
  • Eu não fazia nem ideia , do que era esse lugar. Achava que era simplesmente um bar.
  • É todos que não moram aqui ,acham também .
Sentei e como sempre faço pensei na minha vida,talvez aqueles minutos possam ser os últimos da minha vida,então estava usando-os para coisas boas,fiquei lembrando do dia que passei , da felicidade de Gabriela em saber que seu avó está em um lugar melhor,do velho surdo e mudo que está feliz pois pode ir aonde queria ir. Parei de refletir e olhei para a garota ela estava procurando algo nas gavetas do pai dela. Reparei que na sala as janelas eram com grades . Ela procurava algo, revirava as coisas, mas não conseguia achar o que realmente procurava. Até olhou para atrás do armário e puxou uma barra de ferro e disse:
  • Isso servirá , para o que tenho pensado
  • O que tem pensado?
  • Olha,ele levará você primeiro lá pra baixo em uma sala escura , lá que ele tira a vida de marmanjos que não paga-o . Tente de qualquer maneira fazer ele se distrair e esquecer de fechar essa sala. Vou sair e ir até a sala escura e baterei nele com essa barra de ferro.
  • E depois?
  • Depois teremos que correr...
  • Para onde?Não conheço esse lugar.
  • Vou correr e você me segue.
Não estava confiante, mas não tinha um pensamento melhor que o dela no momento então era melhor eu fazer o que ela mandou.
Ouvindo que o pai dela estava voltando ela escondeu a barra de ferro. Ele entrou, já estava com o cajado e com uma arma,me agarrou pelos braços e puxou, ela gritou:
  • Não pai, deixe ele...
  • Cala boca menina...
Pedi pra ele parar que eu queria dizer uma ultima coisa para ela. Ele soltou meu braço fui até ela, fingi que disse algo pra ela. Voltei , ele me segurou pelos braços novamente,foi fechar a porta e lembrei que se fizesse isso nada ia dar certo,forcei meu ombro pra ele largar meu braço,soltou meu braço , logo chutei a chave , ele me empurrou e foi buscar a chave, a garota saiu com a barra de ferro, meu coração disparou,não sabia o que ela ia fazer, talvez fugisse sozinha. Ela levantou a barra de ferro , fazendo uma grande força e acertou a cabeça de seu pai, ele caiu. Ela gritou pra mim correr, levantei correndo, ele puxou minha perna,vi que junto a ele caiu também o cajado , estava mais próximo de mim , olhei no fundo dos olhos dele e senti algo estranho, mas não era hora para refletir o que estava sentindo, acertei o cajado em suas mãos para que largasse dos meus pés. Ele soltou e gritou de dor, mas como a raiva o predominava conseguiu receber forças para pegar a arma que estava na tua cintura, corri como se fosse ganhar uma maratona , nunca corri tanto na minha vida . Já longe , eu e a garota paramos para respirar . Cansádos estavamos, mas era melhor ir embora logo , o pai da menina ainda poderia nos encontrar . A garota olhou em meus olhos e sorriu foi vindo com seus lábios em direção dos meus , querendo agradecer o tal ato heroico que fiz acontecer. Á beijei , mas sentia algo estranho, não foi por que eu não gostei do beijo, mas algo dentro de mim se manifestava . Talvez era por causa de Fernanda . A garota assim que terminou o beijo,perguntou:
-Como é seu nome verdadeiro?
  • Como assim? Eu já disse meu nome...
  • Você não tem cara de Roberto...
  • Aé? Tenho cara do que?
  • Deixa eu ver...
Ficou me examinando com os olhos de em cima em baixo...:
  • Cara de menino perdido...
  • Menino? E ainda perdido ?
Rimos sobriamente .
  • Um menino virando homem vai...
  • Tenho 19 anos … Posso estar perdido , mas senti na pele a realidade da vida que a gente vê e acha que não acontece com a gente .
  • Acho que você já sabe da minha vida...
  • Acho que não,só sei que trabalhava em um Bordel , filha do dono.
  • Vou contar um pouco da minha vida , meu pai vivia em São Paulo,tinha planos de abrir um comércio aqui pois aqui os impostos eram mais baratos e o que faltava aqui no ponto de vista dele , era um Bordel. Ele acabou conhecendo uma mulher que morava aqui. Passando algum tempo , ele acabou tendo um relacionamento com essa mulher e teve 3 filhas ao longo de 6 anos.Essa mulher , já posso dizer, é a minha mãe.Meu pai com o sonho em mente ainda,de abrir um Bordel, falou o seu objetivo . Minha mãe não aceitou , então ele bateu nela e à forçou a trabalhar para ele no Bordel.Usou o dinheiro dela e do seu irmão para construir. Depois de 2 anos estava totalmente pronto . Minha mãe nunca teve coragem de fugir de casa,pois sabia da agressivade e loucura de meu pai. Meu pai, um homem maligno , não econtrava nenhuma mulher para trabalhar em seu bordel , olhou para suas 3 filhas ,uma já fazendo 18 anos,outra com 16 , e a mais nova que sou eu, estava entrando na puberdade,nos forçou também à trabalhar para ele no Bordel.
  • Nossa, seu pai é homem ruim...
  • Muito ruim, depois de um tempo minha mãe adoeceu , meu pai nem se importou e continuou seus négocios sem ela.Pedi para ele deixar que eu ajuda-se minha mãe,mas ele me bateu e arrumou inesperadamente um cliente bem velho para mim . Minha mãe faleceu , meu pai forçou choro no velório e falso foi, mentia pra todos , dizendo que à amava. Minha mãe era engenheira, ele estava mesmo era de olho em todo o seu dinheiro.Mas ele não conseguiu todo o seu dinheiro, pois nunca chegaram a se casar .
  • Isso é uma história terrivel. Espero que dê tudo certo agora pra você.
Refletindo toda a história,me lembrei que de novo que tinha esquecido de perguntar o nome da garota. Sorri sozinho e perguntei:
  • Até agora eu não sei o seu nome, qual é ?
  • Meu nome é Raquel. E o seu nome verdadeiro que ainda não disse? Eu sei que mentiu seu nome...
  • Como sabe?
  • Todo homem mente e a mentira já começa pelo nome.Pode até dizer seu nome verdadeiro , mas vive a vida de outra pessoa...
  • Então , eu estou vivendo a vida de outra pessoa.
  • Pode ser mesmo...
Ela iria dizer mais alguma coisa, mas eu á interrompi quando eu avisei a chegada do nosso onibus. Raquel cansada , deitou sua cabeça em meu colo e dormiu. Massagiando seus cabelos fiquei,um anseio surgiu dentro de mim,ficava me pertubando , meus pensamentos se perdiam, vinham muitos pensamentos estranhos e sem sentidos ou até com sentidos, era como existisse mais um misterio pra resolver mas como eu estava cansado não poderia nem tentar desvendar. Mas uma explosão em meus pensamentos surgiu e até que ficou um só que era uma única dúvida. Aonde ficaria Raquel? Eu à acordei , quando o onibus chegou no destino esperado. Descemos então e já fui me deparando com uma pessoa que ajudei , era o mudo e ele estava com mais algumas pessoas em sua volta,algum deles conversava em libras com ele , talvez dissesse que fui eu que paguei pra ele a passagem de onibus,ele sorriu para mim e me abraçou me reconhecendo , as pessoas, que na verdade eram sua familia , também me abraçaram e me disseram que estavam muito honrados com a minha nobre a ajuda ao mudo. Contaram que o mudo a muito tempo tinha sido roubado na cidade,vivia de aluguel , assim que o roubaram, não poderia mais pagar o aluguel e foi despachado de onde morava . Resolveu ir morar com sua familia mas, sua familia morava uma distancia grande dele mas bastava pegar um onibus fretado que tinha o destino ao aeroporto que  ele saberia chegar até a casa deles.
Mas foi só um acaso e uma simples ação que fiz,depois da minha arrogancia . Eles me ofereceram dinheiro, eu recusei,me perguntaram pra onde eu iria, eu contei que estava voltando pra São Paulo e que não demoraria muito para o meu avião sair. Eles queriam que queriam que eu fosse passar na casa deles, descançar lá , me chamaram até para morar lá, mas de jeito algum eu aceitaria. Eles olharam para Raquel que estava sentada,mexendo na sua pequena bolsa que levava, e perguntaram sobre ela. Foi então o momento que eu deveria mesmo pensar sobre o que fazer com ela . Não tinha mais dinheiro para ela ir embora comigo para São Paulo. Então disse à eles que ela sim precisava de ajuda,que seu pai o tinha mandado embora de casa pois era um homem muito ruim. Com muita pena dela e sabendo que seria uma gratidão , perguntou se ela queria morar com eles,ela me puxou para um canto e perguntou:
  • O que devo fazer?
  • Olha me desculpa, aconteceu tudo muito rápido,não tenho dinheiro para levar você à São Paulo …
  • Eu não quero ir pra lá, eu nasci aqui, quero morrer aqui...
Eu não estava entendendo bem o que queria...
  • Aceite logo o convite de moradia .
  • Mas e a gente?
  • O que tem?
  • Fingiu ser meu namorado lá no Bordel, agora vai fingir ser alguém que não me quer?
  • Olha , não é bem assim. Eu te quero , mas como uma amiga.
Foi com sinceras palavras que desapontei a garota,vi o desanimo e continuei
  • Você ainda é nova, vai achar algum dia da sua vida alguém que te ame muito .
  • Vou tentar aceitar isso, mas promete não esquecer de mim?
  • Claro que prometo. Você é uma ótima pessoa.
  • Obrigado.
O obrigado dela continuou a falar dentro da minha boca quando me beijou .
Pedi para a familia o endereço de onde moravam , para que eu pudesse mandar cartas para Raquel.
Percebi que estava atrasado e corri para o meu avião.
Já dentro do avião, não tive nenhum momento pensativo, dormi que nem pedra até chegar em São Paulo pois o sono era muito.
Já era tarde da noite, entrei em casa manso, pra não acordar minha mãe. Mas a minha tentativa foi em vão, sem querer bati meu braço com tudo na mesa e que fez o maior estrondo. Minha mãe levantou assustada percebeu que era eu, me comprimentou com um abraço e perguntou :
  • Você está bem , meu filho?
  • Agora eu estou …
  • Está cansado ?
Minha cara de cansaço não enganava ninguém.
  • Sim , eu estou . Dormi no avião mas parece que não foi o suficiente para que volta-se minha energias.
  • Mas você foi e voltou... o que houve?
Contei a ela tudo o ocorrido, ela fez uma cara de preocupa e me mediu pra ver se eu estava bem mesmo e perguntou o mesmo , novamente.
  • Estou bem sim mãe, pode ficar tranquila. Deus me livra de todo o mal...
Ela mudou a cara de preocupada para uma de misteriosa e cobriu seu rosto com a suas mãos lhe perguntando algo em mente.
  • O que foi mãe? A senhora que não está bem ? É isso?
  • Não , eu estou bem , é outra coisa...
  • O que? Me fale...
  • Espero que não me leve à mal depois do que vou te contar...
  • Tudo bem...
  • Você conheceu seu pai...
Sem compreender , nenhum sentido me vinha.
  • Como assim?
  • A verdade sobre seu pai...vou lhe contar... Seu pai, era um homem que viajava muito,ele tinha um sonho que ele nunca quis me contar qual era. Ele dava calotes no meu irmão. Os dois saiam juntos para muitos lugares , que só depois de muito tempo eu descobri o que ele iria fazer. Seu pai devia dinheiro pela apostas que fazia e pelo vicio que tinha em uma droga ,nossa casa estava em risco, eu poderia morrer. Seu pai recorria ao meu irmão já que ele namorava a irmã do seu pai a Regina.
Ele pagou muitas vezes o que ele devia,mas chegou uma hora que não pode mais . Mas seu pai maligno comprou as drogas em nome de meu irmão. Regina mexendo nas coisas de meu irmão achou papeis de apostas, e perguntou-o o que eram aquilo , foi-se explicado exatamente a verdade . Regina viu toda a injustiça e veio perguntar se eu estava ciente de todo o ocorrido , eu respondi que não ,surpresa e desonfiada fiquei. Resolvi mexer nas coisas do teu pai e lá estava todo o seu segredo. Eu fiquei sem reação das coisas que via , todo o planetejamento do seu comércio, todos aqueles papeis de apostas. Seu pai chegou e me pegou no flagra ele gritou comigo, mas antes que termina-se a gritaria eu apenas pedi explicação para tudo aquilo, ele quieto ficou.Eu não queria viver com ele com toda aquela enganação.Expulsei ele de casa,ele implorou para ficar,para eu perdoar ele,meu coração queria perdoa-lo mais meu ego falava mais alto. Ele partiu, não sabia qual rumo ele tomaria.Sei que no outro dia uma noticia me deixou muito pra baixo, foi o pior fato que pude ouvir depois do meu marido ter ido embora,traficantes mataram meu irmão.Seu pai tinha comprado a droga com nome dele achando que ele ia pagar, mas mal sabia que seu cunhado uma hora iria parar de pagar. Aproveitou então a morte dele e pegou o ultimo terreno que meu irmão tinha comprado para revender , que estava lá em Mato Grosso do Sul.

Eu estendia os olhos e me arrepiava a cada palavra que minha mãe dizia,parecia um sonho. Era muito complexo tudo isso. Minha mãe continuava
  • E agora parece que ele realizou seu sonho, abriu seu tanto desejado Bordel...
Aquelas palavras sucombiram minha mente,foi tão inesperado . Mas muita coisa fazia sentido . O por que do meu pai ir embora cedo de casa. O por que dele ir trabalhar lá em Mato Grosso do Sul sendo que não tinha muito trabalho por lá.A morte do meu tio.Raquel ainda não me vinha na cabeça,mas não demorou muito tempo pra perceber , que ela era minha irmã.Então era por isso que eu sentia a estranha sensação quando eu à beijava ou estava com ela olhando-a com olhos do mundo.
Lágrimas não perteciam os meus olhos, eles já faziam parte do cotidiano do meu rosto inteiro.Não era para eu estar chorando pois eu deveria saber das consequencias , algo antes de viajar para conhecer meu pai me aflingia , algo dentro de mim dizia para não ir.Não deveria ter gastado meu único dinheiro para ir até Mato Grosso Do Sul, o que eu deveria feito é ido atrás de Fernanda.
Mas agora o misterio estava resolvido . Era o que eu queria ,conhecer meu pai.
Minha mãe chorou junto comigo, e soluçando ficamos,desabafando e dizendo o quantos nos amavamos e pedimos desculpas pelas as vezes que não estavamos presentes em situações que precisamos de alguém. Minha mãe foi a primeira a parar de chorar assim quis eu também para-se ,secou as minhas lágrimas com uma das suas mãos.E pediu que eu fosse dormir.Antes de ir, só quis saber de mais uma coisa:
  • Mas mãe, por que só agora você vem me falar isso? Não poderia ter me contado antes de eu ir para Mato Grosso do Sul?
  • Me desculpe ,mas eu quando expulsei seu pai de casa ele prometeu que algum dia ele iria cuidar de você .Eu achei que tivesse mudado....
  • É mas não mudou.
  • Um dia a vida cobra dele...
  • TALVEZ SÓ A MORTE COBRE DELE...
Falei em um tom mais grave, por uma certa raiva que me apareceu.Fui para o meu quarto,sem me despedir da minha mãe. Queria ficar um tempo sozinho, ali pensando nas coisas.
Lembrei da caixinha de porcelana que minha tia , tinha pedido que eu desse para o meu pai. Rapidamente eu à abri,lá só tinha uma carta. Com letras singelas da minha tia.Li e tristemente fui pensando em meu pai.Eu fiquei frente a frente do meu pai,aquele maldito...

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