quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Livro - Você viveu de verdade? (CAPITULO IV "A infância #04)


Éramos crianças quando nos conhecemos. Não tínhamos noção das coisas ainda, pelo menos eu não tinha. Eu lembro da nossa infância como se fosse ontem. Lembro-me das nossas brincadeiras, das nossas palavras e também do nosso tempo que passava rápido. Os momentos em que eu passei ao  lado dela era magnífico.
Começou as aulas, por sorte estudávamos na mesma escola e na mesma sala.
A cada dia que eu passava junto com ela ,eu realizava meu sonho . Era tão perfeito , eu caia e ela me levantava, eu me machucava e ela cuidava de mim, eu falava algo bonito ou aparentemente legal para ela e ela  me dava em troca um beijo na bochecha , e eu envergonhado ficava,não sabia mais o que falar . 
Crescemos e não éramos mais  crianças, já tínhamos  um pouco de noção das coisas, na verdade mais ela tinha, pois o meu mundinho era o mesmo, sabia pouco sobre o mundo.
O que mais  crescia em mim  era os sonhos, ela ainda fazia parte deles. Tinha um grande  amor por ela, esse amor cresceu mais quando se tornamos jovens, tinha descoberto um sentimento novo, um sentimento que eu eu não sabia explicar, algo que era fácil de se expressar mas, difícil de entender. O que fazíamos juntos não mais era tão bom como antes, eu desejava algo à mais. O tempo passava e a minha vontade de me declarar à ela era maior que eu. Queria me entregar a ela, queria que o meu primeiro beijo fosse com ela, queria mais um momento inesquecível junto com ela, queria sentir muito mais do que já sentia, mas eu não conseguia pedir...
O que eu achava impossível aconteceu, ela teve que se mudar da cidade pra morar em um cidade do interior por motivos familiares, não sabia como aceitar aquilo, não sabia como seria o meu mundo sem ela ao meu lado, era como o sol indo embora, não iria mais clarear o meu dia, me prometeu que iria me visitar, eu acreditei como sempre. Estaria mentindo se disser que não senti ódio por ter ido embora, senti ódio por dois motivos, o primeiro por que não iria mais vê-la todos os dias e o segundo por que não tinha dito o que eu realmente sentia. Foi aí que meu mundo mudou...
Na escola não era a mesma coisa sem ela não prestava atenção nas aulas, as vezes eu nem ia, eu pensava, para que eu iria para que escola , se tudo que eu queria estudar era os seus sentimentos ...
Eu contava os dias que eu passava sem você,eram poucos , mas os poucos foram se transformando em muitos , passou um ano e ela não estava ali para me alegrar...Ela tinha mentido não fez o prometido , mão veio me ver.
Foi se tornando constante a saudade, mas eu fui forte, busquei novas idéias, novas amizades.
Houve um tempo que eu já tinha feito outro melhor amigo, lugares e lugares íamos juntos, pensamentos e pensamentos iguais e ideias criadas juntos.
Não tinha me esquecido da minha velha melhor amiga, só queria mudar o jogo, não queria ficar para sempre baleado com aquela saudade, então foi justo arrumar entretenimento novo.
Outras garotas me apareceram também mais chances de eu dar meu primeiro beijo foi crescendo e eu não via hora de ganhar ele. Todos os meus amigos já tinham ganhado e eu curioso pra saber como é a reação. Fiquei esperando a garota certa pra me dar esse esperado beijo. Não demorou muito essa espera, conheci uma garota, muito simpática, ela era da minha escola, mas não da minha sala, só conversávamos na hora da entrada e da saída da aula. Não conversava com ela na hora do intervalo pois ela passava  com o seu namorado, eu não ia com a cara do namorado dela e acho que ele também não ia com  a minha. O casal era unido, mas não pareciam felizes. Brigavam muito e de todas as vezes que brigavam a garota parava de falar com ele por alguns dias. Ela sempre me contava das brigas que teve com o seu namorado. A ultima vez que tinha brigado parecia o fim do relacionamento, tanto que conversou comigo na hora do intervalo sobre, eu até estranhei, mas logo percebi que tinham brigados de novo. Ela me chamou de canto, me contou tudo o que tinha acontecido,seu namorado cometeu uma traição. Depois de ter contado toda a historia , ela dispõe-se a colocar a cabeça em meu ombro e começou a chorar. Eu até tentei consola-la mas foi difícil. Ela  dizia que não valia mais a pena correr atrás do seu namorado. Confiava em mim por isso contava tudo que acontecia. Ela parou de chorar, ficou reparando em mim, eu insultei dizer algo mas, ela me mandou calar. Me calou de verdade quando me beijou e eu sem reação à beijei de olhos abertos. Não foi só por que eu fiquei sem reação, mas por ser o meu primeiro beijo. Parou de me beijar e disse que não devia ter feito aquilo. Eu não queria nem saber o que ela devia ter feito, para mim o que importava era o meu primeiro beijo. Pensei mais sobre isto, talvez ela me beijou por que quis se vingar do namorado. Amores traíras eu chamo isso.
Fiquei refletindo sobre o que aconteceu, eu apenas fui usado. Eu não queria meu primeiro beijo assim, queria que ele fosse em um momento especial e com uma pessoa especial.
Um dia qualquer, eu estava em casa sozinho, na preguiceira, sem esperar por nada.  quando o porteiro liga no meu ramal dizendo que tinha uma garota querendo me ver,não veio na minha cabeça quem era, não fazia ideia quem era, desci ligeiro ,nem precisei chegar até a portaria ,vi uma garota vindo em minha direção, meus olhos tinham se enchido de lágrimas, mas eu não sabia quem era ainda, parecia que meu coração já tinha adivinhado quem era ,a garota  estava cada vez chegando mais próxima e cada passo que cada para chegar me parecia familiar, faltava mais alguns passos para chegar até à mim ,já podia ver seu rosto , ela gritou meu nome e não consegui responder,minhas mãos tremiam, meus olhos temiam ver ,preferiam desparramar em lágrimas ela não tinha mudado nada, era a mesma ,era a minha velha melhor amiga, ela ergueu os braços para me abraçar,os meus nem se quer queriam se mover, meus olhos agora fixavam na cena , ela me abraçou profundamente ,parecia um sonho ,disse que estava com muitas saudades de mim ,aquela frase circulou em meu ouvido ,aquilo me fez acordar,eu à respondi "Eu também estava com muitas saudades de ti..." eu nem se quer lembrei que ela tinha me prometido que ia me ver ,ficamos ali abraçados por minutos,nenhuma palavra queria sair de mim , eu só queria ficar ali abraçado,mas algo nela à fez parar,pediu que eu conta-se como eu estava, como eu tinha passado o ano ,como eu ia na escola etc... à respondi com toda alegria do mundo perguntei as mesmas coisas à ela e ouvi as respostas olhando fixamente em seus olhos claros,fiquei super alegre quando soube que ela tinha voltado a morar na cidade.Eu chamei-a para sair qualquer dia ,ela aceitou , combinamos o certo dia , depois disse que tinha que ir embora, pois já estava tarde,realmente ficamos horas conversando.
Depois que ela  despediu-se o meu mundo parou,voltou à ser como era antes, e a sua imagem não saia da minha cabeça como antes também. Não via a hora de chegar o tão esperado dia .Passava a minha cabeça que no tal dia combinado de sair , a gente poderia ficar, eu poderia ganhar um beijo seu, essa era uma chance imperdível. Eu já tinha coragem de pedir para ela.
O dia tão esperado chegou, eu levei meu melhor amigo, não via problema em levar ele. Combinamos de se encontrar em uma banca de jornal , íamos na verdade pro shopping , mas o ponto de encontro seria na banca. Ela chegou, estava acompanhada de uma amiga ,ela me apresentou sua amiga e fiz a mesma coisa, cumprimentei sua amiga com um beijo no rosto fui fazer a mesma coisa com ela , ela não quis o beijo no rosto, mas sim um beijo no rosto e um abraço. Se aquele abraço era tão aconchegante e me deixava tão feliz, não poderia imaginar o beijo. Sua amiga tinha cochichado algo com ela, algo que fazia ela rir, não sabia se era de mim ou do meu amigo, mas não gostei daquele cochicho. Fomos ver as sessões do cinema, o filme que escolhemos começaria, um pouco mais tarde da que era exata no momento em que estávamos. Decidimos dar umas voltas no shopping. Trocamos as novidades  e coisas que eram de assuntos famosos daquele ano,a conversa estava tão boa ,eu só estava esperando o horário do filme se aproximar, quando estivermos dentro do cinema ,eu à pediria um beijo ,aquilo era o que eu tinha em mente mas foi quando me dei conta que sua  amiga estava falando no celular,fazia uma cara de raiva  parecia que tinha uma má noticia para dar,e não é tinha , desligou o celular e a informação logo chegou , as duas tinham que ir embora,ambos iam fazer um trabalho  de escola que tinham se esquecido de faze. Eu fiquei chateado pois o que tinha em mente não ia acontecer. Novamente ela me pediu desculpas e pediu para marcar outro dia. Marcamos na outra semana, na mesma hora e o ponto de encontro também no mesmo lugar. Ela me deu tchau e foi indo embora, minha mente dizia para eu puxa-la e dizer o que eu queria, mas os meus braços e minha boca  não  respondia a minha mente.
O dia passou, era o que eu queria, que os dias passassem rápidos, para que o outro encontro chega-se. Eu pensei sobre o cochicho com sua amiga, que fez as duas rirem, senti raiva pela sua amiga será que ela falou algo de mim? Senti mais raiva quando deixou o seu celular tocar ou então por não ter feito aquele maldito trabalho. Deixei essa raiva para lá pois ela era o par do meu melhor amigo... era o que eu pensava, era quase obvio.
Eu resumia meus dias, fazia o que tinha que fazer e pensava no outro encontro. Esse era certeza que ia dar tudo certo. Fui ensaiando o que eu ia falar para ela e me  preparando para o encontro. Separei roupas , perfumes, tinha até comprado um presente para ela ,comprei alguma caixa de bombom. Poderia ser um simples presente, mas o presente que iria ganhar iria ser bem melhor. Ganhar um beijo dela seria como vencer uma maratona ou ficar rico do dia pro outro.
O dia do encontrou chegou, mas a hora não tinha chegado, meu amigo já estava na minha casa, eu estava ansioso, ele não parecia estar. Fomos pontual ,já elas não foram, chegaram uns 15 minutos atrasadas,mas não houve problemas, o meu dia ia ser ganho mesmo. Cumprimentei sua amiga com um simples "ok" com a mão eu ainda estava com raiva dela. Cumprimentei também a garota dos meus sonhos, mas não igual a da ultima vez, sabia que ela ia me abraçar, então eu à abracei e depois entreguei o presente, ela ficou surpresa pois não era aniversário nem nada, mas mesmo assim recebeu o presente pois, é difícil uma garota rejeitar bombons.
Iríamos fazer diferente dessa vez, fomos para praça de alimentação sentamos em uma mesa que caberia nos quatro. O combinado era tomar sorvete mas ficamos conversando. Eu queria me mostrar e comprar sorvetes para todos, então menti e disse que ia para o banheiro mas na verdade iria trazer os sorvetes. Me levantei  e fui primeiro em direção do banheiro mas logo me desviei em direção da sorveteria. A fila estava grande, queria voltar logo, queria a minha garota, queria um beijo, estava mesmo ansioso. Chegou minha vez, pedi para a balconista me vender os sorvetes mais caro que ela tinha, queria mesmo impressionar, a balconista me trouxe o meu pedido. Voltei segurando os sorvetes, senti um mal sentimento para eu não voltar para a mesa, mas eu achei aquilo bobo, o que poderia dar errado? Estava dando tudo certo até aquele momento. Tudo certo até quando voltei a mesa e percebi que meu melhor amigo não estava mais lá, nem a "minha garota" só estava a amiga dela, eu respirei fundo e perguntei para amiga dela onde eles estavam, ela me apontou o local que não era longe, era um canto escuro, fui andando e me  perguntando o que faria os dois ali naquele lugar, eu não pensei que eles estavam se beijando, fui ingênuo. Dei mais alguns passos e olhei o que não queria olhar, o que jamais pensaria que isso aconteceria, o que nunca queria presenciar, o beijo do meu melhor amigo com a "minha garota" eu não sabia o que falar, para onde olhar, para onde correr, pensei bem e decidi gritar, gritei duas vezes, na segunda vez eles pararam, ela olhou para mim assustada e eu gritei para o meu melhor amigo que naquela hora já não era melhor e nem mais amigo. Palavras tortas saiam da minha boca e a unica coisa que eu disse ou melhor, o que mandei para a "minha garota" foi para que nunca mais me procura-se, para esquecer-me. Fugi dali emburrado e atordoado. Estava chovendo, nem dei atenção para a chuva, sentei na calçada e fechei os olhos. E mesmo não terem percebido o que tinha acontecido, eu os forceis a chorar, pois quem chorava era meu coração,chorava de ódio.
Eu tinha o mundo em minhas mãos e em alguns instantes eu o deixei cair...

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